ESPAÇO ABERTO
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terça-feira, 17 de dezembro de 2013
Carlos José Estevam Lioti 
Provavelmente, muitos já devem ter-se feito essa pergunta. Por que políticos desonestos, corruptos, que desviam milhões de reais dos cofres públicos e sangram recursos preciosos, ficam livres de qualquer punição, e ainda acabam usufruindo livremente da riqueza acumulada ilicitamente? Por que pessoas se enveredam pelo caminho da violência e do tráfico e, às vezes, acumulam riquezas, ainda que para o mal? Por que pessoas agem com desonestidade, falsidade, arrogância e condutas antiéticas para galgarem cargos em seus empregos, mesmo que à custa da humilhação alheia, buscando apenas poder, status e ganho financeiro? E por que muitos vivem de forma honesta, ética, caridosa e humilde, e nem sempre conseguem prosperar?
Obviamente que acumular bens e riquezas, por si só, não significa ilicitude ou pecado, nem é privilégio dos maus. Tampouco, não consegui-los, não significa punição ou falta de virtude dos bons. A questão está nos valores que temos diante da prosperidade; que importância ela tem em nossa vida e que frutos dela extraímos.
A palavra de Deus nos diz: "Pois onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração" (Lc 12, 34). Naquilo que empregarmos todas as forças de nosso coração, de nossa alma e de nosso entendimento, será naquilo que iremos progredir.
Os que buscam a prosperidade acima de tudo e a qualquer custo, alcançarão os bens temporais como recompensa. Os que buscam a estima terão os aplausos. Os que buscam o poder serão bajulados. Os que cobiçam o fausto e a vaidade serão saciados.
Se nosso tesouro estiver na cobiça das coisas temporais e no desejo desmedido da prosperidade, nesses mesmos bens temporais iremos receber a recompensa, julgando-nos ditosos e felizes quando conseguirmos tudo que desejamos para satisfazer nossas inclinações, mesmo que seja pelo mau caminho, como os ímpios que prosperam. Mas se nosso tesouro estiver no amor a Deus e ao próximo, a nossa prosperidade será na medida na justiça do Altíssimo; não na justiça do que merecemos ou deixamos de merecer, mas do quanto a graça de Deus nos mantiver no caminho do amor, da verdade, da bondade, da humildade e da caridade, de modo que essa mesma prosperidade nos dê frutos, cem por um.
Assim como o mal nos afasta de Deus, o bem Dele nos aproxima. E Deus não ignora ou abandona os que Nele confiam. Jesus Cristo, o filho de Deus, nos disse: "Buscai, em primeiro lugar, o reino de Deus e sua justiça, e tudo o mais vos será acrescentado" (Mt 6, 33). Portanto, se buscarmos acima de tudo o reino de Deus e sua justiça, que passa pelo caminho do amor e do bem, tudo o mais que necessitarmos nos será acrescentado, inclusive a prosperidade, não como fruto da cobiça, da soberba ou da malícia, mas como consequência da fé, do amor e da confiança que nós, como filhos, colocarmos nas mãos de Deus que é Pai maravilhoso.
Os maus continuarão a prosperar à mesma medida em que os tesouros passageiros acumulados os afastarão da inefável felicidade eterna, pois "com efeito, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e arruinar sua própria vida?" (Mc 8, 36). A prosperidade dos maus será para o seu deleite, vanglória e soberba. "O homem bom, do seu bom tesouro tira coisas boas, mas o homem mau, do seu mau tesouro tira coisas más" (Mt 12, 35).
Por outro lado, os bons irão prosperar à mesma medida em que os tesouros do amor e da bondade, acumulados e partilhados em favor do próximo, os aproximar do reino de Deus. E, então, a prosperidade dos bons será para a honra e glória de Deus, fonte de todo o tesouro e riqueza. "Honra ao Senhor com a tua riqueza, com as primícias de tudo o que ganhares, e os teus celeiros estarão cheios de trigo, os teus lagares transbordarão de vinho novo" (Pv 3, 9-10).
CARLOS JOSÉ ESTEVAM LIOTI é teólogo em Londrina
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