Os homens cuidam das coisas terrenas; os mestres ascensionados cuidam das coisas dos céus. Estes não interferem em nosso livre-arbítrio, mas a todo momento nos enviam mensagens e lufadas de luz, e as captamos pela intuição se ficarmos atentos e não constantemente dispersivos e apenas sintonizados nas tarefas do dia a dia. Também eles têm missões conosco e não atuam apenas nas coisas ditas espirituais, mas em todas as atividades humanas.
Freud e Jung devem com frequência ficar cutucando os profissionais de sua área aqui, orientando-os; os médicos "do espaço" - como os denominamos - com certeza auxiliam os colegas terrenos, assim também nos casos de um relojoeiro, um agricultor, um mecânico, um educador, um empresário, um cozinheiro, um navegador, um atleta, um escritor, um artista, um pesquisador, e assim por diante. Einstein, com certeza, continua pesquisando e orientando os cientistas e também aprendendo com eles e com seus maiores; Beethoven deve estar compondo e tocando (porque "lá" também existem pianos) e debruçando-se sobre os compositores terrenos e metendo seu bedelho... Se é que não reencarnaram por aqui e estão se revelando nesses jovens prodígios que tanto nos encantam. Eles e tantos mais, em todos os campos.
O universo é um campo de trabalho e cooperação e não há descanso. Nossa intuição e a inspiração são os canais de captação. Mas se não estudamos música não captamos música... Se não nos aprofundamos em ciência não captamos Einstein... Por isso o estudo é necessário. Quanto mais sabemos, mais captamos. "A quem muito tem, mais será dado".
Temos nossa própria inteligência, mas não atuamos sozinhos. Estamos em sintonia com a dinâmica do universo, mas não acreditamos muito nisso e nos mantemos desconectados, embora nem todos e não totalmente. Sim, também alguém "de fora", de outras dimensões, vem aprender conosco o que não sabe ou não possui. Muitos ironizarão que não temos nada para ensinar a coirmãos alienígenas. Nesse universo de "muitas moradas da casa do Pai" há seres que, por exemplo, não conhecem a emoção, e vêm aqui para aprender como isso funciona, porque desejam tê-la. Nas salas de cirurgias há cirurgiões dos planos mais altos que vêm auxiliar e outros que vêm aprender. Eles são visíveis por quem é dotado dessa clarividência. Da mesma forma que pedimos aos seres ascensos que nos guiem pelos caminhos que desconhecemos e nos ensinem o que não sabemos. Apesar de nossos erros, somos dotados de refinada inteligência e de sabedoria.
Alguém que foi um exímio artesão não enviará intuição para um psicanalista. Cada qual atua na área pertinente, porque a sabedoria cósmica não desperdiça tempo e energia. A não ser, possivelmente, em alguns casos específicos. Tudo no universo se encadeia. Ocorre o mesmo no caso das ações do mal, porque ali atuam os maus (melhor denominá-los atrasados, vivendo em universos mentais de sombras, embora às vezes dotados de grande inteligência e astúcia, e que da mesma forma povoam nosso entorno).
Se estamos receptivos para o bem, as coisas boas caem sobre nós como chuvas cósmicas, e assim se dá também em sentido contrário se estivermos impregnados de ódio e maus sentimentos. As coisas semelhantes se atraem, pelo fato de - muitas vezes inadvertidamente - entrarmos na mesma frequência. Estas são as imutáveis leis do universo.
É bom saber que Deus não interfere, porque se queremos fazer a guerra Ele permite que alcancemos um fuzil... Sim, é aí que está manifesta a mão de Deus, pela permissão. Este o sentido. Não fosse assim, Ele não permitiria as misérias humanas. (O pronome Ele é apenas um recurso de linguagem). Deus nos deu a capacidade de descobrir o fogo, e com ele podemos coser o alimento e forjar os metais, ou incendiar a floresta... Mas sobretudo nos deu o dom do discernimento (Deus em nós), bastando lhe darmos ouvidos e o acionarmos, e consentiu que seus obreiros celestiais e mesmo os terrenos nos ajudem. Mas a decisão final é sempre nossa. Até um mal que contraímos tem algo a ver com inqualificações de nossos pensamentos e sentimentos, ou são resquícios cármicos. A vontade de Deus é que façamos nossas vontades.

WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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