ESPAÇO ABERTO
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terça-feira, 10 de dezembro de 2013
Arthur Guerra de Andrade 
Embora existam evidências científicas de potenciais benefícios do consumo de álcool em níveis leves a moderados, principalmente no sistema cardiovascular, o impacto do consumo nocivo na saúde pública é considerável, tanto em termos de morbidade como mortalidade. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 60 tipos de doenças e lesões estão relacionados direta ou indiretamente ao uso dessa substância, incluindo prejuízos agudos (como acidentes de trânsito) e crônicos (doenças cardíacas, hepáticas e dependência alcoólica, por exemplo).
No Brasil, apesar de ser proibida a venda, a oferta, o fornecimento e a permissão do uso de álcool entre menores de 18 anos de idade, levantamentos nacionais apontam que o consumo de bebidas alcoólicas por adolescentes é realidade bastante difundida. O álcool é a principal substância de abuso entre jovens, sendo que aproximadamente 50% dos jovens com idades entre 12 e 17 anos já fizeram uso na vida. Segundo dados mais recentes da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense), divulgados este ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 67% dos escolares do 9º ano do ensino fundamental, com 13 a 15 anos de idade, relataram já ter experimentado alguma bebida alcoólica, sendo que 32% dos adolescentes com idade de 15 anos tomaram a primeira dose com 13 anos ou menos e 22% dos escolares já sofreram algum episódio de embriaguez na vida.
Felizmente, o Brasil tem avançado nos últimos anos em matéria de prevenção e educação. Em São Paulo, por exemplo, um projeto-piloto que realizamos por meio de uma parceria entre as secretarias de Estado da Saúde, Educação e Comunicação, com quase dois mil estudantes de 28 escolas públicas, teve como foco a inibição do consumo de álcool por menores de 18 anos. A principal estratégia foi utilizar os próprios jovens como protagonistas no desenvolvimento de intervenções e na disseminação das mensagens de prevenção aos seus pares afinal, quem melhor para falar com os jovens senão eles mesmos? Com o sucesso alcançado, a ideia é expandir o projeto para toda a rede estadual.
Em paralelo ao trabalho de prevenção com os jovens menores de 18 anos de idade, é preciso investir em intervenções para outra população ainda mais exposta ao álcool: os universitários. Neste caso, em que a maioria já tem a idade mínima para comprar bebidas alcoólicas, é preciso prevenir no sentido de que o consumo em níveis leves a moderados não progrida para um uso de risco.
De maneira geral, ferramentas têm sido desenvolvidas para prevenir o uso precoce do álcool, bem como os prejuízos decorrentes do uso nocivo, tanto para o bebedor como para a sociedade, como é o caso do endurecimento da chamada "Lei Seca". Contudo, é importante frisar que ações isoladas ou implementação de novas leis não poderão resolver esse sério problema enquanto a população também não se envolver e apoiar. Apenas com um trabalho em conjunto, que contemple governantes, pais e familiares, profissionais da saúde, academia, educadores, instituições privadas e a sociedade como um todo, poderemos nos aproximar de uma solução eficaz para esse desafio que permeia o Brasil e o mundo.
ARTHUR GUERRA DE ANDRADE é presidente executivo do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa)
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