Um mau sinal
Sylvio do Amaral Schreiner


Um dia desses fui ao cinema em Londrina e, quando entrei na sala, me surpreendi e me entristeci com o que vi. A sala estava imunda, cheia de restos de pipocas, garrafas e latas de refrigerantes e papéis das pessoas que estavam na sessão anterior. Como mal acabava uma sessão e começava a outra não havia tempo hábil para a equipe de limpeza entrar, mas mesmo assim penso que a equipe de limpeza não precisaria ter que limpar a bagunça e falta de respeito dos outros. Olhar essa sala de cinema me fez vislumbrar um mau sinal.
Cenas assim acontecem em qualquer cinema e não é uma exclusividade daqui, porém isso tudo é triste e preocupante. É sinal da falta de respeito e do descaso com o próximo que contamina os relacionamentos e deixa a vida mais empobrecida. Quem deixa sua sujeira espalhada sem a menor consideração mostra que o outro que vai limpar e o outro que vai ocupar aquele lugar não tem valor algum. Enquanto as pessoas persistirem em não verem os outros como pessoas o mundo vai de mal a pior. Pensar nessas coisas não se trata de implicância, mas de se atentar a algo que precisa de reflexão. Quem deixa sua sujeira física e concreta para trás, também deixa suas sujeiras de atitudes jogadas nos outros. Quem não demonstra o menor respeito pelo ambiente que frequenta, também não é capaz de demonstrar consideração pelos relacionamentos que vivem. Essas pessoas vivem suas vidas mentais e seus relacionamentos da mesma forma: oferecendo e jogando para fora o que há de pior nelas e não procurando desenvolver uma nova maneira de viver que passa por atitudes mais saudáveis e sensatas.
É desolador notar o quanto as pessoas se encontram enfermas e o quanto, mais do que nunca, é necessário passar por uma revolução, mas revolução da mente, da maneira como vivemos e como nos relacionamos. Transformar o modo como lidamos conosco e com a vida em nossa volta se faz essencial para o desenvolvimento pessoal e da sociedade e isso tudo passa pela educação sentimental. Esta ensina a lidar de maneira eficiente com o que sentimos e o que fazemos com o que sentimos. Que tal pensarmos mais?

SYLVIO DO AMARAL SCHREINER é psicoterapeuta em Londrina




Clamor por justiça
Servio Borges da Silva


Apesar das inúmeras dificuldades, o Supremo Tribunal Federal conseguiu colocar na cadeia homens poderosos condenados no caso do mensalão. Foi um gesto que o Brasil consciente esperava há muito tempo. Dizia-se que neste país só vão para a cadeia os criminosos indefesos ou que não têm dinheiro para pagar um bom advogado. Contudo, aprende-se no primeiro ano da faculdade de Direito que justiça é dar a cada um o que é seu e nada mais, também nada menos. Nós, operários do Direito, devemos ser vocacionados para esse ideal que deve ser pertencente a todos em uma sociedade democrática, livre, honesta, uma verdadeira comunidade da paz. Quando um juiz julga um pobre indefeso e miserável tem o dever, inalienável, de dar a ele a justiça que emana da lei. Quando esse mesmo juiz julgar um rico poderoso deverá ter o mesmo cuidado: dar a ele a justiça.
Nesse histórico 15 de novembro de 2013 e rico de significado para a população brasileira, assistimos o noticiário nacional mostrar o cumprimento da lei, como se o Brasil estivesse numa final de Copa do Mundo: a justiça para todos, ricos, pobres, poderosos, enfim "todos somos iguais perante a lei".
Nem se diga que é perseguição ou política, porque o STF agiu motivado pelo anseio de justiça. Num país onde a violência predomina, onde a Constituição é violada em nome do mais forte, a Justiça começa a ser reconstruída com vigor, ordem e progresso. Uma serena, igualitária e eficaz Justiça.
Nós profissionais do Direito - juízes, promotores de Justiça, advogados e serventuários - assistimos atos ousados por parte daqueles que não querem aceitar o império das leis e da Justiça.
Se a Justiça quer ser respeitada e prestigiada tem o dever de, até mesmo, passar na frente, derrubar barreiras e ajudar na formação do caráter e da vergonha das novas gerações. Inúmeras gerações contemplam essa Justiça, até com espanto, esperando com anseio simplesmente o que é seu.

SERVIO BORGES DA SILVA é advogado em Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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