ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de dezembro de 2013
José Rafael Solano Durán 
Acabamos de receber a primeira exortação apostólica do papa Francisco, intitulada a "A alegria do Evangelho". Desde o pontificado do papa emérito Bento 16, todos os documentos têm dado uma relevância e importância ao tema da alegria. Um mundo cansado de felicidades superficiais, e de presentes que acabam por ser sinônimo de uma grande ausência de vida, precisa ouvir mais uma vez que a alegria é um estado da alma humana dentro da qual a pessoa realiza o seu mais alto espaço de crescimento e transcendência.
O papa Francisco deixou bem claro na sua exortação, que contra o pessimismo que invadiu o coração humano, a alegria é a grande resposta.
Estar alegre e se alegrar; é aquilo que gera em nós a esperança e por isso sentimos necessidade de transmitir essa alegria com aqueles que ainda não a encontraram ou que a perderam.
Para muitos interlocutores do pontificado do papa Francisco, este deveria fazer mudanças que trouxessem uma nova cara da Igreja, uma Igreja mais progressista, onde pudessem mudar tantas coisas que a tornam triste e por que não antiquada.
Não é progressista quem pensa que eliminando uma vida humana resolve os problemas, afirma o papa na exortação.
Enganam-se aqueles que passam por cima da cultura, da identidade de um povo ou da dignidade da pessoa, pretendem trazer alguma novidade.
Eliminando um ser humano, apagando uma norma ou negando um preceito não é como as coisas vão se renovar.
A verdadeira renovação vem do coração humano que, ao encontrar-se com o coração de Cristo, percebe que há realidades que foram necessárias num momento determinado, mas que agora podem ser avaliadas, refletidas e por que não substituídas.
O papa lembra Santo Agostinho e Santo Tomas de Aquino, quando afirmam que os preceitos devem ser exigidos com moderação para não tornar pesada a vida dos fiéis e fazer deles discípulos alegres. Uma Igreja sempre em saída potencializa os frutos e percebe que pode plantar em todos os terrenos, mesmo que a colheita demore ou não cresça o suficiente; isto faz com que ela seja mais alegre e assim não se prenda a tradições desnecessárias e sim, se faça portadora do amor do Senhor que alegra o coração.
O grande desafio para poder anunciar a alegria, e melhor ainda para poder vivê-la, é a renúncia que temos todos a fazer.
Pensamos que ser pessoas alegres é o mesmo que pessoas sem compromisso e sem exigências. O papa adverte: "Devemos renunciar ao dinheiro fácil, ao individualismo excessivo, a mundanismo espiritual à guerra".
Os desafios existem para que sejam superados, por isso, não podemos ficar com medo, pois o medo nos traz a paralisia e não nos impede ser alegres.
Para muitos dos que nos interpelam os cristãos, somos demasiado "chatos" e, por isso, consideram que nossa experiência religiosa é triste demais.
O papa Francisco pede para evitarmos "essa cara de vinagre"! Devemos alegrar os ambientes onde quer que nos encontremos, devemos levar aquele sal da terra do qual o mesmo Senhor Jesus nos pede para que transformemos em luz as trevas.
Temos essa maravilhosa empreitada. Vamos colocar nosso empenho para juntos levar aos lugares mais entristecidos das nossas vidas o gozo que vem de anunciar a boa nova! Sempre nova e boa. Alegria só alegria no Senhor.
JOSÉ RAFAEL SOLANO DURÁN é doutor em Teologia e sacerdote da Arquidiocese de Londrina
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