ESPAÇO ABERTO
Lerner e o pedágio
Fui testemunha ocular do início da construção da BR-376, que liga Apucarana a Ponta Grossa, no início da década de 50. Operários trabalhavam de maneira rudimentar: cortes nos morros eram cavados de forma braçal e pequenas carroças de tração animal transportavam a terra até o final do aterro. Não havia trator e nem qualquer outro veículo motorizado. Em outra frente, estava sendo construída a ligação entre Apucarana e Maringá, trecho que já se encontrava em fase bem mais adiantada. Naquele tempo havia muito menos carros, menos impostos, com valores mais baixos e, apesar disso, as estradas foram construídas com dinheiro dos impostos, mesmo que a obra tenha levado vários anos.
Muitos anos depois, a frota de carros cresceu assustadoramente, bem como a quantidade e o valor dos impostos. Não havia recursos para manutenção das estradas construídas, qual a explicação para isso? A arrecadação cresceu muito, mas os políticos corruptos aumentaram muito mais e, com isso, não sobrava dinheiro público para manutenção das estradas. E o que fez "monsieur Jaime Lerner"? Entregou as estradas, construídas com dinheiro do povo, para a iniciativa privada para serem pedagiadas, como se fossem de sua propriedade. Fez isso sem consultar o povo.
Por ocasião da candidatura à reeleição, quando "monsieur Lerner" viu que ia perder, enganou o povo mais uma vez e, num passe de mágica, reduziu o valor do pedágio pela metade. Esse ato não passou de um golpe eleitoreiro. Na CPI do Pedágio, Lerner disse que o fez para atender o clamor do povo. Mas por que fez isso só na véspera da eleição? Não sou contra o pedágio, mas o preço da tarifa deve ser com valor real, como o da BR-376 de Curitiba a Santa Catarina ou da BR-116 de Curitiba a São Paulo, cujas concessionárias praticam preço justo e honesto. Até quando vamos tolerar esse preço abusivo ou pedágios que afetam toda cadeia produtiva?
JAN CICMANEC é servidor público aposentado em Curitiba
Do semear e do colher
Os livros que encerram os mais elevados princípios da espiritualidade nos ensinam que se prejudicamos outras vidas em pensamento, sentimento, palavras e atos, uma causa se cria e é posta em ação, e idênticas consequências se voltarão contra nós. É um débito, que cedo ou tarde terá de ser resgatado. Não se trata de punição divina e sim da natural dinâmica das leis do universo, ou as leis de Deus, que têm sido equivocadamente entendidas como um código penal com o propósito de castigo. Melhor traduzindo, é a lei de causa e efeito. Se lançamos uma bola contra a parede, ela retorna com a mesma intensidade na direção de quem a lançou.
Os ensinamentos nos advertem que se não reajustarmos em tempo - antes da transcendência da morte física - as injustiças que praticamos, teremos de fazê-lo em reincorporações futuras (isto se for da nossa vontade, porque o livre-arbítrio ainda prevalece). Esta é a chance contínua que a misericórdia divina nos proporciona. Se não resgatarmos esses males harmoniosamente aqui nesta vivência terrena, tal ocorrerá de forma às vezes traumática nas futuras revivências. Por isso, os reencontros que se sucedem, como o de um casamento, uma profunda amizade, o nascimento dos filhos em determinados casais ou apenas da mãe, as adoções, o agrupamento familiar e, no seio deste, às vezes dolorosas experiências de rivalidades.
A reencarnação é explicação lógica para a ocorrência de muitos fenômenos terrenos não compreendidos à luz do pouco entendimento. Por que uma criança nasce cega ou com outras deficiências físicas? Por que alguns nascem em lares ricos e outros na miséria? Por que há os que já nascem com aptidões específicas? Por que há os casos de jovens que morrem cedo e há pessoas boas que se vão e os malfeitores vão ficando? São muitos os que questionam Deus por isso, mas a razão divina não comete descuidos. Geralmente cada um pediu isso antes de aqui aportar. Embora a memória subconsciente guarde, o esquecimento após a entrada na carne é para que se opere o mérito de como iremos nos comportar.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina
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