ESPAÇO ABERTO
Consciência branca?
Racismo não é negro, não é branco, não é amarelo, não é vermelho. Racismo é conceito. É um conceito estabelecido antes mesmo daquilo em que se acredita, ou seja, preconceito. Racismo é um fenômeno oculto e dissimulado e, muitas vezes, inconsciente. Por isso, uma violência simbólica.
As pessoas manifestam racismo independente da cor da pele, do pertencimento de classe social, de afinidades religiosas, de títulos acadêmicos e de profissões, inclusive daquelas que definem o que é justo ou injusto em nome do Estado.
A liberdade dos negros foi ontem. Equivalente a duas vidas humanas (125 anos) e a contrariedade das elites foi tão grande que custou a queda da Monarquia no Brasil. E depois o incentivo à imigração de europeia e japonesa, pois os barões que necessitavam de mão de obra em suas produções rurais não queriam empregar os negros libertos. Eles, que foram a força do desenvolvimento econômico até a República Liberal, acabaram ficando à margem do trabalho, daí o termo e o sentido de "marginal".
Os brancos que detêm poder neste País tupiniquim continuam racistas em sua maioria e continuam a violentar. Não precisa ir à cadeia e contar a diferença. E só contar quantos brancos e quantos negros estão estampados nas fotos em qualquer jornal. Aliás, saberemos em que setor do jornal poderemos ver onde estão os negros.
O Dia da Consciência Negra é para não trabalhar e não deve significar descanso. Deve significar luta e luto. Luta pela liberdade e pela igualdade. E o luto é negro em sinal de distinção e respeito à dor do outro.
CÉSAR BESSA É professor de Direito na Universidade Estadual de Londrina
Consciência Negra
Com feriado ou não, 20 de novembro é o Dia da Consciência Negra. Comerciantes repudiam o feriado, mas não vou criticá-los por isso. Vivemos em um país capitalista onde os empresários pensam da mesma forma há centenas de anos no mundo todo. Nos últimos anos em nosso país fomos testemunhas de várias políticas públicas que buscam diminuir as desigualdades sociais. No bojo dessas políticas surgem aquelas destinadas à inclusão social da população negra. Algumas pessoas discordam dessas políticas; discordam também da criação de um feriado para reflexão sobre o preconceito racial. Na maioria das vezes argumentam que essas ações fortalecem a discriminação.
Vamos refletir um pouco a respeito: segundo o IBGE a população considerada negra (pretos e pardos) já ultrapassa 50% do total. E qual é a condição dessa população do ponto de vista social? De acordo com dados divulgados por órgão oficiais, a maior parte da população negra está inserida nas camadas mais pobres do país; nos presídios também são maioria; nas escolas privadas e nas universidades são minoria. E por quê? A resposta é simples: a discriminação racial faz parte da nossa história. Esses dados são algumas consequências dessa discriminação.
Muitos ignoram e insistem em admitir que somos todos iguais, que existe a tal democracia racial, são contra as cotas raciais ou qualquer outra política que favoreça a inclusão do negro. O Estado tem a obrigação de corrigir essa história e dar oportunidade àqueles que foram desfavorecidos e massacrados pelas ações políticas e econômicas voltadas ao enriquecimento de uma pequena parcela da população. É sobre isso que temos que refletir nesse dia. Atenção comerciantes: podem abrir as suas portas, mas respeitem a nossa história.
CLAUDINEI FERREIRA DO NASCIMENTO É professor em Londrina
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