ESPAÇO ABERTO
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terça-feira, 29 de outubro de 2013
Reginaldo José da Silva 
Nem novela, nem futebol, o assunto número um das últimas semanas foi o resgate (ou roubo?!) de 178 cães beagle e sete coelhos do Instituto Royal em São Roque (SP). Londrina até poderia, no mínimo em contexto local, tomar a cena: animais no sentido pejorativo atearam fogo a um andarilho. As redes sociais podem ser uma importante ferramenta para se promover melhor qualidade de vida para todos. Infelizmente, tem havido pouca reflexão. Algo sobre o qual se aprende desde a infância tem gerado preocupações: pegar carona.
Em uma mesma semana, na principal rede social, muitas postagens sobre a punição de um PM em São Paulo mensagem falsa, mas espalhada como se verdade fosse. Seguiram-se as postagens sobre a reportagem de um dos mais importantes veículos de comunicação do País: "PM que baleou ladrão de moto recebe a honraria mais alta da corporação" (Folha de São Paulo). Uma verdade, entretanto, o que se passou adiante foram as entrelinhas erroneamente interpretadas, passando-se a ideia de que o prêmio se devesse à ocorrência.
A punição do PM foi manifestada na forma de revolta, bem como sua condecoração, uma manifestação de alegria, representaram emoções verdadeiras daqueles que divulgaram essas informações.
Incoerência maior ocorreu no caso do interior paulista. Não estranha se muitos dos vistos em fotos e vídeos, após o cansaço dos atos, voltaram para casa e ficaram com os cabelos, a pele e os dentes mais lindos e perfumados com uma das consagradas marcas anunciadas pela, respeitada organização não governamental (Peta), como utilizadoras de experimentação animal.
O Conselho Nacional de Controle e Experimentação Animal (Concea) afirma que o país não tem a menor possibilidade de abolir as experiências, o que geraria dependência de tecnologia externa. Mais que isso, para evitar os testes em humanos, a legislação brasileira determina e padroniza os experimentos em animais, ratos, camundongos, coelhos, beagles, pastores-alemães, porcos, chimpanzés, etc. É preciso ser racional e lutar pela substituição dos experimentos e isso passa por investimentos nessas novas tecnologias, mas mesmo essa redução tem limites. Muitos só podem ler este artigo porque têm no peito um coração que só bate devido a um transplante bem-sucedido, graças aos muitos testes em pastores-alemães. Assim também, pacientes de Parkinson e Alzheimer têm muito a agradecer aos chimpanzés. A lista poderia ser imensa.
Dizer que a pesquisa com cosmético é fútil é fácil, difícil é conseguir ficar sem eles. O setor teve em 2012, no Brasil, um lucro líquido de R$ 34 bilhões. Com tamanho lucro, não será com o barulho de manifestações desordeiras e vidraças quebradas que se farão ouvir.
A cena do beagle congelado é realmente forte, mas até crianças de escolas públicas ao irem à Anatomia na UEL se deparam com dezenas de corpos, fetos, ou partes deles, principalmente humanos. Mais forte e triste foi o silêncio que acompanhou o corpo do andarilho em chamas. Nenhuma voz se ergueu, nenhum post nas redes. É natural que cada pessoa tenha comportamento que a afaste de determinadas atividades. Muitos trabalhos impensáveis: na rede de esgoto, de lixeiro, há quem não suporte a atividade de médico ou de advogado. O que deveria prevalecer é uma relação de respeito, tão maior quanto a incapacidade de se ver realizando tal atividade. Um enorme poder, um imenso barulho, mas uma carona na onda, na direção errada, e se perdeu mais uma vez a ótima oportunidade de ajudar a melhorar.
REGINALDO JOSÉ DA SILVA é biólogo pós-graduado em Análise Ambiental e Policial Militar em Londrina
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