ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
Walmor Macarini 
Agora que se aproxima o Dia de Finados é oportuno relembrar que os ditos mortos se desgostam com os nossos choros e manifestações de perda. Natural que haja sentimento de dor e de saudosa lembrança por parte dos familiares e amigos que aqui ficam, mas se chamamos de volta aqueles nossos entes queridos que se foram, clamando que nos fazem falta, eles sofrem com isso. E se os amamos, não queremos que sofram. Mortos não existem, porque se o envoltório carnal perece, a essência espiritual vivifica.
E muito pior é rememorar fatos tristes com dor raivosa quando houve morte por assassinato. Porque assim trazemos as vítimas para o local da tragédia que as envolveram. Pelo que se sabe, a maioria das pessoas imagina que chorar por elas, pedindo justiça (que nada mais é que um anseio oculto de vingança), as consolam. Isto não é verdade, porque elas podem ter perdoado seus algozes e recebem com sofrimento esses impactos de ira. Com tais atitudes, os seres que já nos deixaram não encontram sossego, e assim retardamos o progresso deles, porque os puxamos "para baixo", quando deveríamos elevá-los para a luz com nossas preces e sentimentos.
Tenho escrito que a morte é apenas uma passagem, como de alguém que adormece e no dia seguinte acorda e se levanta. Há casos, sim, de alguém que não sabe que morreu, pelo fato de ver-se inteiro onde se encontre, depois do desenlace carnal. Muitos permanecem aqui por algum tempo, nos mesmos lugares onde viveram, e podem passar por períodos de incompreensão sobre o que lhes ocorre, e isto naturalmente os perturba.
As pessoas temem a morte porque não foram ensinadas a saber algo mais do outro lado dessa cortina que separa o corpo físico do extracorpóreo. A maioria das religiões fala de castigos infernais ou da chegada imediata ao Paraíso. Nem uma coisa e nem outra, porque nossa marcha é evolucionária, e o grau a que chegamos aqui, se não for elevado, não irá dar um salto abrupto para as "delícias paradisíacas" após a morte física. Tudo tem seu tempo, talvez milênios do nosso tempo linear.
A morte não é uma tortura mas apenas uma continuidade da vida, só que em planos onde é um pouco mais expandida a possibilidade de entendimento. São muitos os que retornam à Terra, e aqueles que, aqui, não acreditam na lei da reencarnação, continuam não acreditando nisso mesmo depois que se vão. As crenças religiosas, certas ou equivocadas, prosseguem. Como prosseguem as virtudes aqui alcançadas e os vícios e tendências.
O que vivemos aqui iremos viver "logo ali", com os mesmos egos não dissipados, com as iras e paixões e igualmente com as mesmas virtudes. Ali, e nos planos seguintes - até onde não podemos imaginar - muito trabalho nos espera, primeiro o da conscientização acerca da nova situação e depois na tarefa árdua que podemos denominar profissional, segundo nossas aptidões. Assim, por exemplo, quem foi médico, vestirá o jaleco - ali na primeira chegada depois desta, e continuará atendendo, porque pacientes não faltam... Assim com cientistas, educadores, engenheiros, agrônomos, administradores, técnicos, pesquisadores, jornalistas, os que operam serviços mais simples, e assim por diante. Todo o universo é um campo de trabalho.
Nos planos inferiores existem também os perturbadores da ordem. Eles são coirmãos nossos em deploráveis condições, que as igrejas denominam demônios. No Dia de Finados vamos fazer uma festa de preces aos "mortos", de alegria e congraçamento. Eles sentirão essas vibrações e ficarão felizes.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina
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