ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de outubro de 2013
Benilson Borinelli e Luís Miguel Luzio dos Santos 
Ao completar 45 anos de criação, o curso de administração da UEL já formou cerca de 4.500 administradores e tornou-se uma das principais referências no Estado do Paraná. Nos resultados do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) de 2012 publicados recentemente, de um total de 1.554 cursos avaliados, o curso de Administração da UEL alcançou o conceito máximo, 5 - atingido por apenas 6,1% do total - obtendo a melhor nota contínua entre os cursos de administração do Estado.
Ainda que os avanços sejam importantes, as demandas sociais para a formação de gestores aumentaram e se complexificaram. A democracia atual impõe avanços no plano econômico e nos domínios organizacionais, dando prioridade à superação da exclusão, ao combate à desigualdade social e à degradação ambiental, ao mesmo tempo em que se persegue o desenvolvimento econômico e a competitividade internacional.
Por outro lado, as universidades precisam lidar com a baixa qualidade do ensino básico, as restrições orçamentárias e administrativas que comprometem o exercício de sua autonomia e a prestação de serviços de qualidade. A massificação da formação de administradores não tem sido acompanhada pelos mesmos avanços nos níveis de qualidade. Some-se a isso um fenômeno ainda pouco debatido e estudado, mas de grande repercussão para a profissão, que é a veloz perda do campo de atuação para profissionais formados em outras áreas.
Importante reforçarmos que o curso de Administração ainda é costumeiramente reduzido a um curso de gestão de empresas, desprezando-se o seu compromisso com o universo organizacional de forma mais ampla, que envolve, além das empresas privadas, instituições públicas, organizações sociais, cooperativas. Também é comum reduzi-lo a um conjunto de ferramentais técnicos, afastados de visão crítica, que apenas reproduzem e alimentam as iniquidades do sistema socioeconômico vigente.
O curso de Administração da UEL mantém um intenso esforço em promover a pesquisa científica, estimulando a criticidade e a capacidade de debater e propor alternativas mais democráticas, justas e sustentáveis. Um marco importante nesse sentido foi a criação, em 2010, do mestrado em Administração da UEL, que tem como área de concentração a Gestão e Sustentabilidade, um dos únicos do País com esse foco. É importante ressaltar que apenas 2,5% dos cursos de Administração do Brasil possuem mestrado e que no interior do Paraná são apenas dois.
Se desde os anos 1970 o curso de Administração da UEL vem sendo de grande importância para formar gestores de nível superior para os setores público e privado, agora, o desafio é ir além. É necessário redefinir a posição e o papel do curso na região, considerando critérios de excelência nacionais e internacionais. Precisamos, diante de novas condições contextuais, repensar o curso para não só reproduzir, mas produzir conhecimento de alto nível, proporcionando uma formação sólida aos graduandos e pós-graduandos para que estes estejam à altura dos requisitos sociais, econômicos, políticos e ambientais que se impõem. O curso de Administração da UEL tem todas as condições de responder a esse novo contexto, mas a tarefa é desafiadora e exigirá mudanças culturais e estruturais significativas. Como integrantes de uma universidade pública regional, necessitamos e devemos nos posicionar criticamente e responder às demandas da sociedade, cumprindo com empenho e qualidade os nossos objetivos de instituição pública.
BENILSON BORINELLI e LUÍS MIGUEL LUZIO DOS SANTOS são professores do departamento de Administração da Universidade Estadual de Londrina
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