Mercados futuros, a termo e de opções estão chancelados pela terminologia "mercado de derivativos". Os atores podem estar em diferentes raias. Numa ponta, podemos ter empresários à procura de hedge (seguro), e na outra, "especuladores", coisa do jargão jornalístico. Ou, até mesmo, empresários nas duas pontas fazendo a trava. Quais os caminhos que devem ser percorridos?
Vamos usar um exemplo bem simples, originário da pecuária, mas muito elucidativo. Um dado pecuarista trabalha com engorda de bois. Compra animais por um preço "x" a arroba. Pretende revendê-los com 18 arrobas. Num dado momento, nesse interlúdio, a arroba chega a um preço "y", muito vantajoso ao pecuarista. Situação indicativa de venda, porém os animais não atingiram ainda as 18 arrobas. Para manter esse preço até chegar ao objetivo da engorda, o pecuarista deve buscar o mercado futuro objetivando fazer uma trava.
Como concretizar a trava? Posiciona-se nesse mercado como "vendido" e busca o preço "y", já referenciado, como valor de exercício. Se o preço do boi cair, perderá dinheiro no pasto, mas ganhará na aposta. Já se o preço do boi subir, ganhará no pasto, mas perderá na aposta. Assim, as coisas se compensam. Desse modo, é que funciona a trava. Situação que poderia ser projetada para o mercado cambial, entrando em cena exportadores e importadores. Ambos poderiam beneficiar-se.
Esse mecanismo é usado para assegurar o preço favorável num dado momento, projetando-o, pelos efeitos práticos, para o futuro, quando a operação e o negócio vão ser liquidados.
Já, de outro lado, ingressar nesses mercados a descoberto significa simplesmente, especular sobre o preço futuro de moedas, taxa de câmbio, commodities, taxa de juros, ações, etc. Adrenalina pura!
Foi assim que a Sadia enfrentou, em passado recente, sérias dificuldades, ao fazer uma aposta no mercado futuro de câmbio sem nenhum lastro em suas exportações, operando a descoberto. Deu no que deu!
Do exemplo mencionado anteriormente, o da engorda de bois, ainda é possível enveredar abstratamente por outro rumo: um proprietário de frigorífico, cuja leitura do mercado estaria a admitir que a arroba do boi continuaria a subir e, possuindo contratos para entrega futura de carne no exterior sem possuir bois no pasto e, portanto, a descoberto, porém com os contratos já devidamente calçados por trava cambial, poderia buscar uma segunda proteção, posicionando-se como "comprado" no mesmo contrato do primeiro exemplo. No frigir dos ovos, as duas pontas seriam beneficiadas.
Já, no mercado de opções, paga-se um prêmio ao vendedor da opção, e é fixado um "preço de exercício" para comprar ou vender ativos. No prazo de exercício, o titular da opção, em face do preço de mercado, opta por exercer ou não o seu direito de compra ou de venda. O contrato pode admitir a entrega física ou, simplesmente, o acerto financeiro. Se a opção não for exercida, perde-se o valor do "prêmio", que vira pó.
Já no mercado a termo, os prazos e a quantidade são mais flexíveis e normalmente realizados entre instituições financeiras e clientes, sem intermediação da Bolsa. Assunto que pode ser aprofundado pelos interessados em conhecer esse mercado.
O domínio dessas informações, por parte de empresários e agropecuaristas, pode facilitar seus negócios, zerar os riscos e potencializar o lucro.
Donde se pode dizer: o mercado de derivativos não é filhote do apocalipse econômico, tanto quanto faz crer a carga da mochila obesa do preconceito!

IRINEU BERESTINAS é graduado em Ciências Sociais e secretário de Indústria, Comércio e Turismo da Prefeitura de Arapongas

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