ESPAÇO ABERTO
Refrescando a memória do leitor
A crítica, por diversas vezes, antecede a reflexão em nossa sociedade. Grande parte da população questiona o que lhe é desconhecido sem ao menos se esforçar para compreender os fatos. Assim o ato de criticar torna-se ponto de partida e não consequência da observação, um erro grave que dificulta a compreensão dos acontecimentos políticos atuais.
Quando as manifestações de junho começaram, o termo "o gigante acordou" virou uma espécie de hino, reproduzido pelos manifestantes e apropriado pela mídia oficial. O que as pessoas esquecem e que deveriam lembrar, é que por anos uma minoria que se espalha por todo o país tem se dedicado a mudar o pensamento político no Brasil.
Esse gigante que nunca adormeceu, e muito menos chegou a despertar, jamais existiu. Quando usam essa expressão, todos os movimentos sociais e manifestações públicas anteriores ao dia 17 de junho de 2013 acabam sendo deslegitimados pela sociedade.
É importante lembrar que muitos que hoje opinam sobre os rumos do Brasil com convicção de quem tem experiência no assunto, há quatro meses criticava quem falava sobre política e desconhecia por completo qualquer assunto que dissesse respeito ao planalto central. Esse mesmo indivíduo, inseguro e que insiste em repetir tudo o que ouve, teima em chamar de vagabundos aqueles que lutam por seus direitos.
O pensamento político no Brasil está se transformando, os brasileiros estão cada vez mais conscientes das suas responsabilidades e com o tempo irão amadurecer o suficiente para fazer valer sua cidadania nas próximas eleições. É preciso saber o valor das coisas, e não confundir valor com preço. Caso contrário, continuaremos a ser reféns dos mesmos vilões e das mesmas mentiras que aprisionam o povo brasileiro desde os tempos de Cabral e companhia.
BYRON PRUJANSKY É fotógrafo especializado em Direitos Humanos no Rio de Janeiro (RJ)
Por que se comemora?
Temos uma infinidade de datas comemorativas, algumas nacionais, outras internacionais. Por que se comemora? Confesso que mais me parece para lembrar o que se está esquecido e que, após essa lembrança, voltamos a esquecer o fato. Seria isso uma comemoração?
Penso que não. Devemos comemorar todos os dias as datas que escolhemos para comemorar.
Vejam, no dia 8 de agosto, comemorou-se o Dia Internacional dos Pedestres. Apesar da comemoração, algumas pessoas perderam suas vidas nesse dia e ser pedestre deve - como outras datas - ser comemorado todos os dias. Não basta comemorar por comemorar, é preciso adicionar nessa comemoração alguns princípios que façam valorizar mais essa comemoração, como: sentir-se seguro na travessia, ou seja, atravesse as ruas olhando para ambos os lados, respeite os sinais de trânsito e faixas para pedestres;
antes de atravessar na frente dos veículos, faça um contato visual com os motoristas para ter certeza que eles o viram; utilize sempre a faixa de pedestres e onde não houver procure outros locais seguros para atravessar, seja na esquina, em passarelas ou próximo a lombadas eletrônicas; não atravesse a rua por trás de carros, ônibus, árvores ou postes, pois a probabilidade de você não ser visto é grande; em estradas ou vias sem calçadas, caminhe de frente para o tráfego, ou seja, no sentido contrário aos veículos. Se por um lado, você comemora todos os dias "o Dia do Pedestre", com certeza evitará um acidente.
Contudo, como no trânsito há a interação social entre pedestres e motoristas, esses também devem comemorar "o Dia do Motorista" todos os dias, levando-se em conta: não induzir o pedestre a atravessar mais rápido caso ele já tiver iniciado a travessia; ser gentil e facilitar a travessia dando a preferência ao pedestre. Evite ainda buzinar o tempo todo para o pedestre. Se nunca pensou nisso, faça-o e, com certeza, estará comemorando a sua vida e dos demais.
JULIETA ARSÊNIO É psicóloga especialista em comportamento de trânsito em Londrina
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