ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
Luiz Gonzaga de Melo 
As concepções e práticas pedagógicas são passíveis de conservação ou mudanças, dependendo de ideologias e interesses dos que estão no poder e ou de quem exerce efetivamente a prática. O que se vê há tempos são ideologias e interesses voltados quase que exclusivamente para o desenvolvimento econômico, a fim de que o País se torne competitivo entre as nações ditas desenvolvidas. Amplas campanhas concorrem para isso e, há propostas subjetivas de privatização da educação escolar alicerçadas pelo slogan "Educação para todos e todos pela educação", com claro objetivo de que o primeiro interesse é a qualidade da mão de obra para a produção e a expansão do consumo, em outras palavras, o que interessa é a maximização do lucro.
Entretanto, as leis e diretrizes educacionais, principalmente na parte que tange ao processo de ensino e aprendizagem desenvolvido nas bases escolares, resultadas de amplas pesquisas e debates de educadores progressistas, consagram os interesses e direitos daqueles a quem a educação escolar se destina: os alunos. O processo de ensino e aprendizagem, portanto, deveria ser sistêmico, interdisciplinar e contextualizado, de forma que pudesse ser conscientizador e emancipatório, conforme prevê as leis e diretrizes vigentes.
Infelizmente, o que se vê no cotidiano escolar é um emaranhado de concepções e práticas pedagógicas, na maioria das vezes, destoantes dos interesses e direitos subjetivos dos alunos.
As concepções e práticas pedagógicas vão continuar a ser conservadas ou mudadas, conforme aventado no início deste texto, pois isso faz parte da evolução cultural. Mas, a pergunta que fica é "quando esse processo vai convergir para os reais interesses e direitos dos alunos?".
Há um bom tempo gastam-se somas milionárias fazendo diagnósticos e avaliações ditas oficiais para no final constatar que a educação está ruim, que os índices de alfabetização, especialmente a plena, não mudam há dez anos. Não se trata de ser contra a avaliação, pois entende-se que ela é fundamental em qualquer processo educativo. Entretanto, é preciso ir muito além, começando por elucidar as causas e nelas agir, de forma que as mudanças necessárias para a consecução das leis e diretrizes se efetivem.
Como primeiro passo, urge um debate claro, franco e amplo com os professores que hoje atuam nas escolas, para que compreendam as concepções que governam suas práticas pedagógicas e, assim, cada um possa compreender a si, compreender a educação e compreender sua função docente. Esse debate deve se dar nos âmbitos de uma formação continuada em serviço, de forma mediada, para que não se perca no vazio. Paralelamente, é fundamental que se amplie o debate na esfera pública a respeito da formação inicial dos professores, sem medo de ofender esta ou aquela instituição ou os interesses daqueles que estão no poder central.
Com isso ganha o professor enquanto ser humano e profissional, mas acima de tudo ganha o aluno portador de direito a uma educação de qualidade que o ajude no processo de emancipação e, por consequência, ganha a sociedade que será mais humanizada.
Fora disso, tudo continuará concorrendo para a manutenção da hegemonia e dos privilégios que tornam a sociedade injusta e, na ótica do capitalismo, uma sociedade desqualificada. E, mais, a cada novo índice educacional insatisfatório divulgado, subjetivamente trará para a sociedade a impressão de que o culpado é o professor.
É preciso que se compreenda a educação, especialmente a educação básica, como fator de emancipação dos indivíduos. Urge pensar o desenvolvimento do País como consequência da emancipação dos principais atores que compõem o cotidiano escolar: os professores e os alunos.
LUIZ GONZAGA DE MELO é professor na Faculdade de Educação, Administração e Tecnologia de Ibaiti
■ Os artigos devem conter dados do autor e ter no máximo 3.800 caracteres e no mínimo 1.500 caracteres. Os artigos publicados não refletem necessariamente a opinião do jornal. E-mail: opiniao@folhadelondrina.com.br


