A primeira semana de outubro é dedicada à vida, ou seja, a "Semana da Vida". O feto, o embrião, o nascituro é um ser humano que tem o direito de nascer, é uma vida humana única e original, é um bebê, já é um filho. Seja, pois bem-vindo, abençoado, acolhido e protegido. Trompa e útero são santuários e ninhos da vida, que não devem transformá-los em cemitérios. Um ser inocente não pode tornar-se vítima da ciência, da cultura, da política. Pelo contrário, deve ser respeitado por estas instituições que existem para defender e promover a vida.
Políticos e cientistas abortistas não devem receber nosso voto nem nossa confiança, porque eles declaram a pena de morte para o ser humano frágil, inocente, indefeso, que tem direito de nascer e de viver. Nossa sociedade faz leis contra a palmada e, ao mesmo tempo, emana leis que matam vidas inocentes. Há uma "conjura contra a vida" (João Paulo 2º). A glória de Deus é o ser humano vivente desde a fecundação. "Não matarás" é a ordem do Criador, "amante da vida" (Sb 11,26). Até os pássaros fazem seus ninhos no alto das árvores e montanhas para proteger a vida. Esta foi a última reflexão da doutora Zilda Arns, antes de ser vitimada pelo terremoto no Haiti. A Pastoral da Criança é também Pastoral das Gestantes.
Temos gestos tão bonitos em favor da vida como a doação de sangue, de medula, de órgãos. Como não deixar-se tocar pela nobreza e maravilha da adoção de crianças e adultos? Pastoral do Menor, o Mutirão de Combate à Fome, os Mandamentos do Motorista, as Comunidades Terapêuticas, instituições de proteção à mãe solteira constituem uma verdadeira "sinfonia da vida". Não há coerência nem lógica realizar tudo isso em favor da vida e, ao mesmo tempo, defender e praticar o aborto. Há tanta manipulação nesse assunto principalmente quando se inventam nomes taticamente e maliciosamente "científicos", mas que são táticas e estratégias abortistas.
Todos os esforços em favor da ecologia, dos animais, até dos ovos de tartaruga são louváveis porque indicam cuidado pela vida. Da mesma forma devemos cuidar do embrião e ainda com mais zelo e respeito por ser inocente e frágil. O instinto materno é tão forte que a prática do aborto deixa marcas psicológicas irreversíveis. Que nossos médicos cumpram seu juramento de não matar e os encarregados pela reforma do Código Penal não penalizem a vida frágil e indefesa. Que vença a cultura da vida. Os assim chamados "direitos sexuais e reprodutivos da mulher" defendidos pela ministra da Secretaria de Políticas das Mulheres não passa de um nome solene para provocar o abortamento de um ser humano em gestação, portanto, um filho. Também o secretário de Atenção à Saúde tem um plano abortista, inclusive com cartilha para a população.
O povo brasileiro já manifestou-se tantas vezes contra o aborto, vamos, pois defender a cultura da vida. A verdadeira ciência está a serviço da vida.

DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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