ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 01 de outubro de 2013
Rosângela Oliveira Campiolo 
É inegável que a educação é o único instrumento capaz de formar cidadãos mais conscientes e preparados para o trânsito. Recentes estudos sobre mobilidade urbana apontam a informação como ferramenta para a mudança de hábitos. Esses estudos basearam-se na aplicabilidade de medidas chamadas de TDA (Traffic Demand Manegement) ou Gestão de Demanda no Trânsito em alguns grandes centros. As estatísticas mostram que o número de acidentes de trânsito envolvendo jovens é significativo nos últimos anos e muito preocupante quando se depara com o número de vítimas fatais.
Dados do Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres (DPVAT) corroboram para essa informação: 41% das indenizações pagas pelo seguro em 2012 foram para jovens entre 18 e 34 anos, vítimas de acidentes no trânsito. Dados do Ministério da Saúde apontam que no período de 2002 a 2010, a quantidade de óbitos causados por acidentes com motos triplicou no País. Na região Sul, o percentual foi de 17% nesse mesmo período.
Infelizmente, Londrina também apresenta dados preocupantes. Os condutores de motocicletas são as vítimas mais frequentes nos acidentes de trânsito, muitos desses são jovens trabalhadores. Acidentes não ocorrem por acaso. Eles têm fatores que determinam sua ocorrência e, em geral, são vários fatores: precariedade das vias públicas (sempre em constantes remendos), falta de ciclovias devidamente planejadas, falhas na sinalização, veículos trafegando com pouca ou nenhuma condição de dirigibilidade, infraestrutura deficiente no setor público. E somem-se a esses a imprudência, a irresponsabilidade, a imperícia e a má formação dos condutores resultam no que observamos nas ruas e nas estatísticas.
É bom ressaltar que o transporte viário traz à sociedade benefícios imensuráveis que permitem o seu desenvolvimento. Porém, não se pode ignorar os aspectos negativos. Entre esses aspectos estão os acidentes de trânsito. Londrina tem percebido as externalidades negativas principalmente devido à dor, ao sofrimento e a perda de qualidade de vida impostos às vítimas, seus familiares e à sociedade. É premente buscar meios de reduzir esses acidentes.
Em recente entrevista, o novo diretor de trânsito da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) afirmou que o foco de sua gestão estará na educação. Louvável decisão. Nunca é tarde, anuncia o velho bordão. Mas há mister de ação imediata. Como representante do poder público deve, enfim, tomar posse de sua responsabilidade: fiscalizar, fazer cumprir a lei e educar. Ações educativas envolvendo poder público e sociedade civil organizada são prioritárias neste momento. Implementar ou implantar as blitzes educativas nas escolas, do ensino fundamental ao ensino médio; as blitzes nas ruas, com folderes informativos sobre as estatísticas dos acidentes graves e fatais no trânsito e com as orientações básicas das boas práticas de segurança entre pedestres e condutores, fóruns são algumas das diversas medidas.
Vale lembrar que isoladamente as medidas punitivas não são instrutivas. Recorrer as parcerias é uma estratégia factível porque todos devem estar envolvidos na segurança no trânsito. Torcemos para que a nova gestão se empenhe de fato para a concretização das ações propostas. Vale destacar também o nosso importante papel nessa mudança. O nosso comprometimento em colaborar na educação dos que estão mais próximos, de criar nas associações de bairros um espaço para as discussões, multiplicar as boas práticas e o respeito no trânsito e cobrar dos órgãos responsáveis maior rigor na fiscalização, são alguns deveres como cidadãos. Esse é um tema que atinge a todos nós e que merece maior atenção. Vamos lutar pela paz no trânsito e valorizar a vida!
ROSÂNGELA OLIVEIRA CAMPIOLO é servidora pública federal e educadora em Londrina
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