Houve um tempo que Londrina era sinônimo de pioneirismo. Em que pessoas de todos os cantos do mundo para cá se deslocavam e na terra vermelha semeavam a esperança de uma vida melhor. Hoje, porém, o pioneirismo característico desta terra é a cada dia sepultado.
No início do século passado nossa cidade era apenas uma clareira, com alguns casebres, cercados pelas enormes perobas-rosa que cobriam esta região. No entanto, em poucos anos os casebres deram lugar a uma cidade planejada, as perobas a edifícios que aparentavam riscar o firmamento. O céu anil desta terra já não era mais espaço reservado das aves, sendo preenchido por aviões que faziam de nosso aeroporto o terceiro mais movimentado do País.
Dos cafezais, que iam até o onde a vista podia ver, transbordava o ouro-verde do café! Londrina nasceu tímida, desenvolveu-se incrivelmente veloz, enfrentou a geada negra e não se deixou abater, diversificando sua produção, estabelecendo-se como polo nacional de educação e saúde, e desenvolvendo-se ainda mais e hoje aquela clareira é a quarta maior cidade da Região Sul. Esse olhar progressista, mas sem perder as raízes, é que faz de nossa Londrina uma cidade sem igual.
No entanto, há algumas décadas o sentimento que preenche nossa população é de abandono. De que esta que foi símbolo de progresso, hoje está estagnada. Isso se dá por causa de uma batalha de interesses escusos, que não visam o crescimento planejado e pensado em prol de todos, pelo contrário, visam beneficiar poucos em detrimento de toda uma cidade.
Esses interesses não são mantidos exclusivamente pelos péssimos administradores que corromperam Londrina, mas também por membros dela, por filhos desta terra que, ao não terem suas vontades individuais atendidas, por não serem beneficiados com o desenvolvimento da cidade a paralisam de maneira cruel, prejudicando a população londrinense. Agindo de maneira mesquinha e baixa, impedindo assim que o desenvolvimento econômico, social, educacional, ambiental de Londrina ocorra.
Atualmente, Londrina busca se recolocar nos trilhos do desenvolvimento, o que não significa agir de forma leviana, sem compromisso com o futuro, com os recursos públicos, naturais e com a qualidade de vida do povo. Pelo contrário, já está mais que provado que nós – londrinenses -
não aceitamos mais mandos e desmandos que visam desqualificar nossa cidade, prejudicando o desenvolvimento equilibrado e alimentando o círculo vicioso da corrupção pública e privada. Todavia, não é tarefa das mais fáceis libertar um gigante de um cabresto que por tanto tempo o aprisionou. As rédeas do caminho a ser percorrido pela cidade de Londrina não pertencem àqueles que, por uma breve ilusão, pensam serem "donos" dessa cidade. Este devaneio sem sentido em nenhum momento pode prevalecer sobre a vontade dos legítimos donos desta terra, os londrinenses!
Londrina pode e dever ser modelo de desenvolvimento sustentável e equilibrado, de qualidade de vida, de bons empregos e estudos. Não somos uma cidade de ninguém, abandonada aos interesses de poucos! Somos uma Londrina que tem em sua herança o pioneirismo, que fez aquela clareira no meio da floresta, se transformar em uma das mais ricas cidades do Brasil. E hoje o olhar que devemos ter é justamente de pioneirismo, desenvolvendo-se de maneira plena, respeitando as leis, ao meio ambiente, a população. Revivendo assim uma Londrina que é por e pelo povo londrinense!

GUILHERME AUGUSTO LIPPI GARBIN é estudante de Direito na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), campus Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

mockup