Desde a década de 1970 quando o Brasil começou a contrair empréstimos internacionais e acumular a temível dívida externa que muitos imaginavam não poder ser paga nos moldes ao qual era cobrada. Os governos daquela época e os que se sucederam estimularam o caminho das exportações com vistas a equilibrar a balança de pagamentos e gerar superavit.
Assim, em meados dessa década, fechou-se em muito as importações de produtos que não eram considerados prioritários ao Brasil. Ao mesmo tempo estimulou-se a fabricação de produtos nacionalizados substituindo os importados. Essa política deu os seus resultados, mas nos anos do governo Collor, em meio a uma onda de "globalização" e abertura política, optou-se pela volta às importações quase que indiscriminada. Essa política mantida até os dias de hoje foi responsável pelo fechamento de muitas indústrias que não conseguiram concorrer com os importados.
Mas é necessário ressaltar que nesses dois períodos de governo os gestores públicos estipularam parâmetros ou cotas para importação de produtos de diversos setores econômicos pelos mais diferentes motivos. Desde a agricultura até a fabricação de carros, por exemplo, que tem um limite percentual para importar peças e componentes e até mesmo veículos prontos. Atualmente, na exportação a regra geral é quanto mais exportar melhor, mas será essa nos diversos setores da economia um acerto em termos gerenciais para a economia brasileira?
Embora esses fatos não reflitam muita novidade no ramo empresarial faz-se necessário refletir sobre o assunto pelas decisões que estão sendo tomadas pelo governo brasileiro como a recente importação de médicos cubanos.
A tomada de uma decisão governamental desse nível gera sempre uma onda de outras ações que podem trazer consequências a curto e médio prazos não esperadas.
A adoção de medidas governamentais em áreas estratégicas pode comprometer a gestão governamental em qualquer época. Por isso, tais ações devem ser minuciosamente pensadas tanto pelo gestor público como o privado.
Escrevo isso não para me contrapor a governos, mas sim para que estes sejam sensibilizados no sentido de agirem com mais critério técnico com força no longo prazo e não somente para atender a interesses de outras nações e que esses atendimentos venham a comprometer o desenvolvimento do Brasil.
Citei o Brasil de uma forma geral, mas refiro-me às ações de governo de qualquer Estado ou cidade também. Pois é fato que esses tomam decisões políticas que nem sempre são tecnicamente as mais adequadas. Temos aqui mesmo em Londrina o exemplo do que a falta de planejamento a longo prazo traz quando uma indústria ou comércio quer aqui se instalar e não vê regras claras ou um plano diretor que os oriente para um horizonte de planejamento adequado.
Para muitos, essa maneira de administrar faz parte do cotidiano nacional e dizem que em todo o Brasil é assim. Esse comodismo de pessoas em não estabelecer planos tecnicamente exequíveis, principalmente, no setor público geralmente é explicado por não se poder estabelecer planos que sabe-se lá se sucessores políticos os cumprirão. Ou que costumeiramente venham trazer benefícios financeiros inapropriados aos que se deixam levar por esse caminho.
Como resultado, temos cotidianamente publicado em jornais e outros meios de mídia os resultados que poderiam ser chamados de impublicáveis.

MAURICIO KALAU GONZALES é administrador de empresas e professor em Londrina

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