ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
Airton Nozawa 
Depois de acompanhar as manifestações e as justas reivindicações dos moradores da Gleba Palhano contra a instalação dos superpostes de eletricidade, acompanho agora o mesmo problema em outros bairros vizinhos. A diferença é que os agravantes maiores, pois esses bairros envolvidos têm áreas residenciais densamente ocupadas e consolidadas há muito tempo, além da construção de uma subestação rebaixadora de tensão.
Os superpostes são assustadores, e pior, ficarão ainda mais, quando neles forem instalados todos os cabos de alta tensão. Conjuntos gigantescos como esses são completamente inadequados para serem instalados em estreitas calçadas e ruas de áreas densamente ocupadas e na maior área de lazer de Londrina. Os postes "normais" atualmente utilizados (muito menores), quando atingidos acidentalmente por veículos leves, rompem-se facilmente e caem, em geral, sobre as calçadas ou na área de recuo predial das residências. Com os superpostes a história pode ser trágica. Se atingidos por veículos pesados poderão cair além da área de recuo predial, envolvendo as residências com os seus cabos altamente energizados. Os riscos serão imensos, colocando em perigo as vidas de transeuntes e dos moradores com a destruição direta das suas residências, com as descargas elétricas elevadíssimas e prováveis incêndios!
A subestação está sendo instalada no centro de uma região densamente habitada e num pequeno terreno totalmente circundado por edificações de ensino, de entretenimento e uma grande área de lazer e preservação ambiental. Não teve a ampla discussão com a comunidade diretamente afetada e os trâmites legais/ambientais dessa perigosa obra foram atropelados, sob o pretexto da necessidade de rapidez para a sua execução. Já passou o tempo em que as benfeitorias são impostas de qualquer modo e a população passivamente as aceitam. Não é racional favorecer uma comunidade e, por outro lado, sujeitá-la a riscos elevados e permanentes! As subestações e redes de distribuições são necessárias para o crescimento de uma cidade, mas os seus projetos de implantação devem ser amplamente discutidos com a comunidade realmente representativa e não apenas entre os seus projetistas.
Se a Copel se diz uma empresa moderna e preocupada com indicadores ambientais, deveria preocupar-se com os sistemas de fornecimento de energia elétrica que beneficiem vidas e não com os que aumentam os riscos delas. Custa caro? Quanto custa uma vida? Como exemplo de evolução tecnológica, há algumas dezenas de anos os esgotos domésticos eram despejados diretamente nas ruas. Hoje os esgotos são coletados por redes subterrâneas e tratados. Essa realidade teria sido pouco mudada sem a percepção dos riscos pelo poder público e sem o comprometimento de investimentos públicos. Por que para a energia elétrica os processos não podem ser melhorados?
Provoco o Ministério Público competente para exercer o seu papel em defesa da comunidade em risco, antecipando-se às ocorrências trágicas, ou até mesmo o governador do Estado, para agirem simplesmente a favor da segurança do povo e contra essa intervenção impositiva, ameaçadora, agressiva e assustadora da companhia de energia do Paraná. Se os moradores da Gleba Palhano foram atendidos, por que os de outros bairros não estão sendo? Uma vida da vida da Palhano vale mais que outras? Já está passando a hora da Copel evoluir, priorizando a segurança da população, discutindo democraticamente as obras que geram impactos e perigos à comunidade, respeitando e preservando os raros espaços públicos consolidados de lazer de uma cidade e investindo na modernização de suas técnicas tradicionais e rudimentares de transmissão de energia elétrica.
AIRTON NOZAWA é engenheiro civil em Londrina
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