ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
Dom Orlando Brandes 
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou o Documento 97 cujo título é: "Discípulos e Servidores da Palavra de Deus na missão da Igreja". Estamos diante de uma proposta bíblica corajosa que chamamos de "Animação Bíblica de toda a vida da Igreja e da Pastoral". Passamos da "pastoral bíblica" para uma animação bíblica de toda a Igreja. O que se pretende é colocar a Palavra no centro, respeitar sua primazia como alma do nosso ser e agir cristão.
A Palavra deve ser a inspiração, a seiva, o caminho, o alimento da vida sacramental e pastoral, para evitarmos a sacramentalização e o devocionalismo. Para isso, precisamos de três experiências com a Palavra, ou seja, formação bíblica, oração bíblica e anúncio da Palavra. É bom recordar a mensagem conclusiva do Sínodo da Palavra (2008) onde se diz que a Palavra tem uma "voz", isto é, a revelação divina, tem um "rosto" que é Jesus Cristo; tem uma "casa" que é a Igreja e tem um caminho que é a missão.
Grande ênfase é dada à "leitura orante da Bíblia" (Lectio Divina) por meio da qual acontece um encontro pessoal com Deus, um relacionamento por Jesus Cristo, seu Evangelho e seu reino. Outra oportunidade privilegiada de encontro com a Palavra de Deus é a homilia por ocasião das celebrações litúrgicas. Maior atenção deve ser dada à celebração da Palavra onde não há sacerdotes para celebrar a missa.
Para acontecer a animação bíblica de toda a vida da Igreja, o Documento faz algumas propostas novas, a saber: tornar a Bíblia o livro principal da catequese, realizar um ano bíblico, promover congressos bíblicos, criar comissões bíblicas em todos os setores da Igreja, oferecer subsídios bíblicos, rezar a Liturgias das Horas ou ao menos os salmos com o povo.
A animação bíblica de toda a vida da Igreja deve facilitar o acesso à Bíblia nas famílias, preparar os leitores (ministros da Palavra) realizar retiros bíblicos e ter escola bíblica nas paróquias, fomentar o profetismo e o ecumenismo. Semanas bíblicas, maratonas, dia da Palavra, simpósios, seminários bíblicos e outras criatividades especialmente na internet são bem-vindas, como também educar para o silêncio, a escuta e o amor à Palavra.
A dimensão bíblico-social é fundamental para o profetismo, a promoção dos direitos da pessoa, a reconciliação, a paz, a política. Especial atenção deve ser dada aos pobres, migrantes, doentes, defesa do meio ambiente. Os jovens, os encarcerados sejam atraídos a conhecer e viver a Palavra.
Os meios mais comuns para a animação bíblica são os círculos bíblicos, os grupos de reflexão, as Cebs, os meios de comunicação social, as missões populares. É preciso dar uma dimensão bíblica a todos os eventos celebrativos como: novenas, procissões, romarias, reza do rosário, via-sacra, religiosidade popular, acólitos, infância missionária, movimentos eclesiais. Sem a Palavra a iniciação à vida cristã não acontece. Nos seminários seja oferecido além dos estudos bíblicos, a leitura orante da Palavra, para que nossos vocacionados adquiram um coração bíblico. Antes de ser mestra do anúncio, a Igreja deve ser "mestra da escuta" da Palavra de Deus.
Percebemos que a CNBB quer alavancar o amor à Palavra de Deus e dar-lhe a primazia que merece. Hoje é ainda muito atual a pergunta: "Que fizeste com minha Palavra?" (Bernanos). Em nossos tempos falamos de iniciação cristã, nova evangelização, missão permanente, necessidade do profetismo e do ecumenismo. Para tudo isso acontecer há uma condição: o amor, o conhecimento e a vivência da Palavra de Deus.
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina
■ Os artigos devem conter dados do autor e ter no máximo 3.800 caracteres e no mínimo 1.500 caracteres. Os artigos publicados não refletem necessariamente a opinião do jornal. E-mail: opiniao@folhadelondrina.com.br


