Rosh HaShaná é o Ano Novo Judaico, que se inicia na próxima quarta-feira, 4 de setembro, ao entardecer. Diferente do réveillon, que é celebrado com festanças, bailes, bebidas, fogos de artifício na praia ou uma bola descendo no Times Square, em Nova York, o Ano Novo Judaico é recebido refletindo-se sobre o passado, corrigindo falhas pessoais, planejando o futuro, rezando por saúde, por um ano doce e com refeições em família.
Em Rosh HaShaná, os judeus são convocados para um balanço do ano que se encerra. Como justificar mais uma etapa da vida? O que se fez com o ano que passou? Foi um período de crescimento, introspecção e interesse pelo próximo? Fez-se bom uso do tempo ou ele foi inconsequentemente esbanjado? Foi um ano de vida verdadeira ou mera existência?
É chegada a hora de se avaliar as falhas e reordenar a vida com base em um propósito consistente. Esse processo recebe um nome especial em hebraico: "teshuvá". Sua tradução aproxima-se de "voltar para casa", reconhecendo e corrigindo os erros que cada um cometeu contra o semelhante e também contra Deus.
Em Rosh HaShaná os judeus rezam pedindo para serem inscritos no Livro da Vida. Pedem por saúde e sustento. Tem um significado universal, pois, segundo a tradição, este é o dia da criação do primeiro homem, Adão, sendo, portanto, o dia do julgamento de todos seus descendentes – judeus ou não.
Talvez se pergunte: "Como celebrar quando a vida está suspensa numa balança?". Definitivamente, nesse momento especial cada judeu é convidado a confiar na bondade e na misericórdia do Deus todo-poderoso, trazido a conhecimento de todo o mundo através de seus patriarcas Abraham, Isaac e Jacob. Os sábios e os profetas ensinaram que Deus conhece os corações e as intenções de todos e, com amor e sabedoria, decidirá o que é melhor para cada um, confirmando, assim, seu decreto para cada indivíduo no ano que se inicia.
Na refeição do Rosh HaShaná há o costume de mergulhar uma maçã no mel, simbolizando as esperanças de um ano bom e doce. Há também o costume de se comer vários alimentos simbólicos – em sua maioria frutas e vegetais – cada um precedido por um pedido em hebraico. Um desses alimentos é a romã, quando se pede: "Que seja da sua vontade, Deus eterno... que nossos méritos sejam tantos como as sementes de uma romã".
Toda a simbologia da data destina-se apenas a ajudar as pessoas a ficarem sintonizadas com o que é preciso fazer da vida para conectá-la a seu sentido real e ligar-se a Deus, com amor ao próximo. A simbologia não é um fim em si e, com certeza, não é a essência de Rosh HaShaná.
O ano em que os judeus de todo o mundo entram nesta data é 5.774, contados desde a criação de Adão, conforme a cronologia bíblica. A saudação típica desta data é "Shaná Tová Umetuká", significando: "Um ano bom e doce!".

ABRAHAM SHAPIRO é consultor em Londrina

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