ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 20 de agosto de 2013
Marcelo Seneda 
Sou a favor da vida, pois respeito as mulheres que estão na fase adulta e as que estão na fase fetal. E sei que um "punhado de células" é a origem de todos nós. Sou a favor da vida e do sexo responsável. Praticar sexo deve ser uma fonte de prazer, mas, gostemos ou não, é algo que envolve riscos. Aceitar isto é maturidade e responsabilidade. Sexo sem responsabilidade pode ter consequências muito mais graves do que uma gestação indesejada. Sífilis, hepatite, Aids e câncer de colo de útero, dentre outras doenças, acompanham o sexo irresponsável.
Sou a favor da vida por saber que a gestação é um evento com início e fim conhecidos e pode ser evitada com uma eficiência acima de 99,9%. Não existe 100% de segurança em um aborto, mesmo legalizado, pois há riscos medicamentosos, erros médicos e transtornos psicológicos. O aborto é sempre um procedimento desagradável. É mais inteligente prevenir.
Sou a favor da vida e sei que parir um filho é uma coisa, educar para a vida é outra coisa. Se a mulher não quer criar o filho, ela tem este direito, garantido pela Constituição. Para cada bebê disponível, há centenas de casais na fila de espera da adoção.
Sou a favor da vida e aceito que a mulher dite as regras sobre seu corpo, mas as regras do corpo do feto merecem igual respeito. Nenhuma pessoa é, foi ou será uma parte do corpo da mãe. O corpo do feto não é o corpo da mãe. A reprodução por brotamento não ocorre na espécie humana.
Sou a favor da vida porque considero inaceitável julgar a vida alheia. Nenhum critério, seja ele cor da pele, quantidade de células, idade ou condições de nascimento, pode ser usado para decidir se uma vida vale a pena ou não. A história da humanidade está repleta de pessoas extraordinárias, cujas vidas começaram da pior forma possível.
Sou a favor da vida e não me intimido com os pareceres da Organização Mundial da Saúde (OMS). Esta instituição representa a opinião de pessoas. E as pessoas erram. E a OMS já admitiu ter errado sobre outros temas.
Sou a favor da vida e sei que "questão de saúde pública" é todo e qualquer evento das nossas vidas. Lazer, moradia, saneamento básico, alimentação, transporte, tudo é "questão de saúde pública"!
Sou a favor da vida e sou coerente. Assim como quero respeito aos idosos, porque um dia (espero!) serei um idoso, também quero respeito à vida intrauterina, pois um dia todos fomos fetos. Reflitamos nisso com seriedade: todos fomos fetos!
Sou a favor da vida e vejo que a mulher grávida deve ser amparada! Mesmo pobre, drogada, prostituída, desempregada, mesmo com tudo desfavorável, se amparada, ela se sentirá dignificada e capaz de conduzir a gestação. Mais digno amparar uma grávida desesperada, do que encaminhá-la a um ato sem esperança.
Se a tragédia do estupro ocorrer, já temos mecanismos de evitar a tragédia do aborto. Pelo bem da própria mulher, ela deve ser atendida no menor prazo possível. Mais do que prevenir uma gestação, esta mulher precisa receber todo o apoio a que tem direito. Como já previsto na Constituição e no SUS.
Sou a favor da vida e não posso aceitar como evoluída uma sociedade que promova a morte fetal porque o bebê não é do sexo esperado. Neste aspecto, não podemos aceitar cegamente a postura dos países considerados desenvolvidos. Altos índices de suicídio, xenofobia, tráfico de pessoas, atentados psicopatas, são alguns dos graves problemas dos países considerados primeiro mundo.
Queremos que toda mulher receba educação sexual, métodos contraceptivos e assistência médica. Utopia? Não! Direitos! Democracia, eleições diretas, direitos políticos das mulheres, derrubada da PEC 37. Ontem, utopias. Hoje, conquistas.
O primeiro direito de um ser humano é ser respeitado. Sem condições. Melhor lutar por todas as vidas do que por algumas.
MARCELO SENEDA é professor do departamento de Medicina Veterinária na Universidade Estadual de Londrina


