Em 2008, então na presidência da Acil, iniciamos o projeto "Natal do Céu", que tinha por objetivo resgatar as decorações natalinas e, consequentemente, aumentar a autoestima dos londrinenses. Era o ano da crise financeira internacional; vivíamos um desânimo muito grande na nossa cidade.
Resolvemos lançar a semente de um novo modelo natalino que encantasse as pessoas, unisse as entidades civis, resgatando assim a cooperação e a solidariedade. Os resultados foram pequenos, porém, a semente de muita qualidade e os adubos da união e da perseverança não tardariam a mostrar bons resultados. Os frutos começaram a amadurecer: em 2009, o Natal do Céu se transformou no Natal do Amor, nome que expressava realmente o seu verdadeiro segredo, o amor.
O trabalho de construção do Natal do Amor envolveu mais de cem entidades/empresas parceiras, o poder público, as escolas e, principalmente, a população. Iniciamos os trabalhamos no segundo trimestre. Em reuniões semanais, discutíamos ideias e buscávamos a integração e a unidade entre todos. O objetivo era o bem comum: sempre pensávamos no que seria melhor para a cidade.
O orçamento total do evento foi cinco vezes maior do que a verba cedida pelo município, o que nos deixou extremamente felizes por termos otimizado o dinheiro público e aplicado no evento que aconteceu na Praça Tomi Nakagawa, com a construção de uma grande árvore de Natal de 44 metros de altura, a decoração de toda a praça elaborada com materiais reciclados de garrafa pet, confeccionados por alunos das escolas municipais e colaboradores anônimos, em processo quase industrial. Esse foi o verdadeiro espírito do Natal que havíamos pensado: a união através do amor.
Eis que fomos surpreendidos com uma ação judicial movida pela Prefeitura de Londrina, cuja sentença é a devolução de R$ 11 mil, não por improbidade administrativa, mas apenas por uma falha de rubrica com o item segurança que não constava no convênio. Ou seja: uma falha burocrática. Respeitamos a decisão judicial, mas usaremos o nosso direito de recurso, principalmente por realmente ter executado com muita responsabilidade e zelo a nossa missão. Durante os 40 dias do Natal do Amor, a Praça Tomi recebeu a visita de mais de 500mil pessoas, e não houve nenhum incidente. A preocupação com a segurança das pessoas foi uma parte fundamental para o sucesso do evento. Era preciso garantir a tranquilidade das famílias que participaram da festa.
Acredito que o episódio do Natal do Amor deixa uma lição importante. Continuo acreditando que, mesmo cometendo pequenas falhas, é necessário fazer o certo e procurar o bem comum. É muito melhor do que errar não fazendo nada, cuidando apenas do nosso interesse individual. Continuo acreditando que a solução de todos os problemas é a busca da unidade através do amor.
Essa foi a minha filosofia de trabalho e dedicação à entidade que servi ativamente como diretor e presidente durante 16 anos. O espírito de empreendedorismo cívico enxerga soluções em um horizonte mais amplo, une as diferenças e nos obriga a crescer com muita responsabilidade.

MARCELO CASSA é empresário em Londrina e ex-presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil)

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res (55 li­nhas) e no mí­ni­mo 1.600 ca­rac­te­res (25 li­nhas). Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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