ESPAÇO ABERTO
Pragas nas lavouras
Narciso Pissinati
Durante uma discussão com técnicos da Embrapa, cooperativas, sindicatos e produtores, houve um consenso de que precisamos encontrar alternativas para diminuir o uso de agrotóxicos nas lavouras. Para que isso ocorra, é necessário colocar em prática um conjunto de ações.
Primeiro, teremos que ter um envolvimento de todas as entidades públicas e privadas ligadas à atividade. Segundo, o produtor tem acreditar que há alternativas viáveis sem que tenha que recorrer ao uso, muitas vezes, indiscriminado de inseticidas, por exemplo. Terceiro, o treinamento que deve ser feito por parte dos agricultores, dos colaboradores e dos chamados "pragueiros", bem como pelos técnicos ou responsáveis pela condução da atividade. Tais treinamentos incluem palestras de motivação e constituição de práticas de aplicação de produtos alternativos que diminuam o uso de agrotóxicos.
Alternativas existem. É preciso acreditar nos trabalhos já consolidados, como o "Biofábricas, que é a reprodução e uso das vespinhas, criadas em laboratórios e espalhadas nas lavouras. Outra alternativa é o manejo integrado de pragas e doenças (MIP) que, quando bem empregado, limita os efeitos potenciais prejudiciais dos pesticidas químicos à saúde pública e ao meio ambiente. O objetivo dessa estratégia não é o de eliminar os agentes, mas reduzir sua população de modo a permitir que seus inimigos naturais permaneçam na plantação agindo sobre suas presas favorecendo a volta do equilíbrio natural desfeito pela plantação e pelo uso de defensivos agrícolas. Dessa forma, requer o entendimento do sistema da plantação como um todo e o conhecimento das interrelações ecológicas entre os insetos agressores, seus inimigos naturais e o ambiente onde está a plantação está inserida.
Essas são algumas das alternativas que teremos que rever e quem sabe termos um maior equilíbrio no meio ambiente e com menos pragas nas lavouras.
NARCISO PISSINATI é presidente Sindicato Rural de Londrina e Tamarana
Prevenção ao uso de álcool e drogas
Izaias Bitencourt Moraes
Embora as estatísticas não demonstrem, os órgãos de segurança sabem a grande contribuição do comércio e do uso de drogas lícitas e ilícitas nas ocorrências policiais. A situação do alcoolismo em determinadas empresas cresceu a ponto de incomodar pelas ausências, pela baixa produção e desagregação no ambiente de trabalho. A providência das corporações foi a instalação de programas de prevenção e de tratamento disponibilizados àqueles dispostos ao tratamento voluntário. Embora uns poucos tenham perdido a oportunidade, as iniciativas foram premiadas pelo sucesso.
O uso de álcool e outras drogas cresceu de forma avassaladora no Brasil a ponto de ser considerada epidemia nacional. As ações da polícia são insuficientes. Além do tráfico, ocorrem agressões, roubos, assaltos, acidentes, estupros e assassinatos pela ação ou busca de meios para manter o vício. O sistema de saúde está desaparelhado para lidar com a recuperação dos viciados. Faltam leitos e profissionais especializados para esse mal, tanto assim que as recuperações definitivas são raras. Os centros de atenção psicossocial (Caps) são tímidos para a demanda e ainda não apresentaram resultados convincentes quanto à metodologia utilizada. Falta estrutura adequada: física e humana.
Diante dessa situação caótica, por que não estabelecer trabalho de prevenção voltado à conscientização das nossas comunidades? As famílias de todas as classes sociais estão sujeitas a esse mal que entra sorrateiro e lentamente vai espalhando seus tentáculos para afrontar pais, desorientar irmãos, magoar parentes, furtar a própria casa, sobrecarregar a saúde pública e cometer crimes contra a sociedade. Entendo ser saudável e eficaz engajar escolas, igrejas, unidades de saúde, imprensa, associações de moradores, profissionais da área de saúde e autoridades em um trabalho permanente para levar mensagens cujo alcance chegue a todos os domicílios e demonstrar a posição clara contra o uso de drogas.
IZAIAS BITENCOURT MORAES é contador em Londrina
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