Em vez de criar estrutura básica para ter o mínimo de qualidade e dar o atendimento médico com dignidade para a população, o governo por meio de impacto de mídia política resolve o problema da saúde no Brasil, mais uma vez, com um programa mágico com interesse único e verdadeiro: desviar a atenção com uma simples canetada – resolvido. Saúde já era.
A população clama nas ruas por melhorias em todas as instâncias de serviços públicos, cansada de pagar impostos e sem resposta contra a violência progressiva na cidade e no campo, contaminante em todas as esferas, com subornos, maldades, mortes, superfaturamento em obras, obras inacabadas ou inexistentes, mensalão e etc.
A única finalidade do programa "Mais Médicos" é criar uma imagem de ter dado solução para a saúde e alavancar dividendos para candidatura à reeleição, que era certa e está desmoronando. Graças a Deus, (ele é brasileiro). Construíram um barco (país) e no, primeiro confronto, está afundando. Era de papel cheio de ilusões, mentiras, etc.
Se os hospitais e postos de saúde já existentes estão sucateados (falta de pessoal, goteiras, gambiarras na instalação elétrica, construções caindo, rachaduras, constante falta de medicações, etc.) fossem vistoriados com o rigor - como fazem nos hospitais e clínicas particulares pela vigilância sanitária -, não teríamos mais locais de atendimento para o SUS no País. O abandono é total, a população amontoada em corredores, banheiros, quartos, enquanto tiver maca vai colocando pacientes. Acabou? Põe no chão! Este é o retrato da saúde do Brasil.
A vinda de médicos sem avaliação de capacitação é como abrir a fiscalização e entrar à vontade, sem saber o perfil profissional, ético, psíquico para dar atendimento, ou seja, " engana que eu gosto".
Já pensaram quem vai auditar os atendimentos? Aí são capazes de envolver o Conselho Federal de Medicina (CFM), com os conselhos regionais de medicina (CRMs estaduais) e se negarem? Irão para imprensa e culparão as entidades por não colaborarem. O tempo dirá. Eles são sempre inocentes.
A prorrogação dos cursos de Medicina para mais dois anos sem estrutura prévia, sem estudos, médicos irão trabalhar em locais remotos, é uma mentira maior para tapar o sol com a peneira. Os jovens estudantes ficarão assanhados por uma remuneração de início de carreira, atrativa, mas aonde o governo achará os supervisores para ensinar? Para dar-lhes formação? Quanto vão pagar para esses? Cadê a base de sustentação para dar o atendimento completo? Será novamente ambulâncias para remoção?
Acordem estudantes de Medicina, o futuro é de vocês! Unidos, lutem por um país mais digno, humano, sério e transparente. Juntem os irmãos brasileiros, pois "verá que filho não foge à luta", mas tenha o orgulho de ser brasileiro.
Não somos passivos, somos demais tolerantes. O copo transbordou, a corrupção pelo excesso de confiança deixou a máscara cair e conseguimos enxergar os politiqueiros, golpistas, mensaleiros e o abusivo desrespeito à legislação e ao povo brasileiro. Não importa as classes, é um todo. Uma vergonha internacional.
Daí o movimento nas ruas. E os mandatários não enxergam ou não querem. Só veem preço de ônibus! Que lastima e tanta ignorância junta.
Quando a impunidade acabar, começando pelo governo, e efeito cascata aos Estados, não teremos passeata para reivindicar, mas sim para nos confraternizarmos com um país novo. Diante dessas pinceladas da saúde/situação econômica e política, podemos dizer: resolver ou não, eis a questão.
Acordem governantes, vamos ser mais patriotas!

WEBER DE ARRUDA LEITE é médico especialista em Administração em Saúde em Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res (55 li­nhas) e no mí­ni­mo 1.600 ca­rac­te­res (25 li­nhas). Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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