Estudo da Embrapa mostra os benefícios dos ganhos de produtividade no campo: entre 1970 e 2010, o preço real dos alimentos reduziu pela metade. Para a agricultura alcançar tal desempenho há dois fatores estratégicos: um deles é a adoção de inovações tecnológicas. Além do aumento da produtividade, os avanços trazem ganhos ambientais; basta ver como o aumento da produção tem sido infinitamente superior à abertura de novas áreas. O outro fator decisivo é uma política efetiva de assistência técnica e extensão da rural aos agricultores.
De acordo com a Secretaria de Assuntos Estratégicos, da Presidência da República, a assistência técnica aos médios agricultores e às propriedades familiares chega a quadruplicar seus ganhos: a renda média aumenta de R$ 639 por hectare para R$ 2.309. A FAO, órgão da ONU para agricultura e alimentação, chega a conclusões semelhantes. O órgão avalia que nos países de baixa renda e em desenvolvimento os recursos aplicados em pesquisa são os instrumentos mais efetivos de apoio à agropecuária. Aponta, ainda, a importância dos investimentos em infraestrutura, crédito para aquisição de insumos e educação do agricultor.
Esses dados demonstram que as empresas que pesquisam e desenvolvem novos ingredientes ativos para a proteção de cultivos no País estão no rumo certo da extensão do saber ao campo. São inúmeras ações de educação e sustentabilidade, desenvolvidas há muitos anos, como o sistema integrado de manejo na produção agrícola sustentável
Outra iniciativa que merece destaque é o Prêmio Andef, que alcançou, dia 24 de junho, sua 16ª edição com o tema "Inovação e sustentabilidade - uma nova revolução verde". Este trabalho da Associação Nacional de Defesa Vegetal, singular em todo o mundo, é desenvolvido em parceria com o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias; a Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários; a Organização das Cooperativas Brasileiras, OCB; e a Fundação de Estudos Agrários, da Esalq-USP. Este ano, a premiação passou a contar também com a parceria da Enactus, organização internacional que reúne acadêmicos e líderes de instituições públicas e empresariais, e da Associação Brasileira das Agências de Comunicação.
Comparando alguns números atuais do País com o que havia no ano de 1998, quando foi criado o Prêmio Andef, percebe-se a dimensão de sua trajetória. O Brasil era formado por uma população de 135 milhões de pessoas e, no mundo, havia 5 bilhões de habitantes. Ou seja, em apenas 16 anos o planeta ganhou mais 2 bilhões de pessoas para alimentar.
A produção rural apenas começava a delinear os contornos do vigoroso agronegócio que, hoje, o mundo tanto admira; o país colhia uma safra de 66 milhões de toneladas de grãos. De novo: em apenas 16 anos, o Brasil praticamente triplicou a colheita, que este ano foi de 184 milhões de toneladas. Em todos esses anos, não faltaram dificuldades para os setores produtivos. E, nunca é demais enfatizar, alguns desses percalços, tais como: ineficiências na infraestrutura de armazenagem e transportes; excessiva carga tributária e anacronismo e lentidão no marco regulatório, fatores que mantêm o elevado custo Brasil e inibem um avanço mais vigoroso do desenvolvimento.
Na 16ª edição do Prêmio Andef, o conjunto de ações e projetos de educação do setor de defensivos agrícolas no ano de 2012 capacitou e beneficiou 6 milhões de agricultores. O aumento no número de agricultores beneficiados, em relação ao ano anterior, foi de expressivos 42%. Tais resultados permitem afirmar, sem dúvida, que o Prêmio Andef é, hoje, em quantidade, qualidade e na efetividade dos projetos, a maior premiação da agricultura brasileira. Sobretudo porque os seus resultados se traduzem em mais e melhores alimentos nas mesas de milhões de brasileiros e em todo o mundo.

JOÃO SERENO LAMMEL é engenheiro agrônomo e presidente do conselho diretor da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef)

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res (55 li­nhas)e no mí­ni­mo 1.600 ca­rac­te­res (25 li­nhas). Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­saria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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