Importante e de bom grado as recentes manifestações nas ruas das cidades brasileiras. Embora os protestos tenham sido pelas mais diferentes causas, eles deixaram marcada a indignação contra os políticos e o atual sistema que os alimenta e reproduz. O aumento das passagens dos ônibus urbanos foi apenas a última gota e o pretexto para soltar o grito de indignação já há algum tempo preso.
A corrupção se inseriu na vida pública brasileira. Governos de todos os níveis estampam as manchetes dos jornais constantemente pelo desvio e mau uso do dinheiro público. Serviços públicos de péssima qualidade denunciam que, de fato, os políticos não representam a maioria dos eleitores e cidadãos. A realização da Copa das Confederações no Brasil, com a presença da mídia internacional, caiu como uma luva para os manifestantes.
Desde 2007, quando foi anunciada a realização da Copa do Mundo no Brasil em 2014, há críticas de grande parte da sociedade. Quem ler qualquer edição de jornal desde então tem grande chance de encontrar em sua seção de cartas algum repúdio a este evento. Nas redes sociais a postura contra o mundial da Fifa é quase unânime e escancarada. A maior parte das críticas se concentra, de forma inteligente, nos questionamentos sobre os gastos públicos e sobre quem se beneficiaria com o espetáculo. Se na saúde, educação e segurança, responsabilidades básicas e fundamentais do Estado, sempre há dificuldades para investimentos, para a Copa do Mundo os investimentos (ou gastos?) são liberados com leis específicas e sem burocracia.
Essa foi a grande indignação que a maioria dos políticos não quis ver, e agora paga com a queda de sua popularidade. Auspicioso é saber que a tal da Copa das Confederações não passou em branco, as pessoas saíram da internet para as ruas e, com seus cartazes contra "as coisas erradas" que grassam no País, pediram e exigiram mudanças necessárias. Devemos reforçar o coro por mudanças. No entanto, há que se perceber o alcance e o limite das ruas. É preciso ir além. E, infelizmente, a participação (e não sua abolição) política é fundamental para avançarmos rumo à justiça social e à ética. É preciso discutir a reforma política que inclua o voto não obrigatório, o fim do fundo partidário, mudanças no Senado, transparência total nos governos, possibilidade concreta de punição aos corruptos e banimento deles de quaisquer funções públicas, fim de regalias como o foro privilegiado, entre outras coisas.
Que os manifestantes que ora ocupam praças e ruas, também se insiram e tomem os partidos políticos, as entidades de classe, associações de moradores, conselhos, sindicatos. E que, sobretudo não se esqueçam que ano no que vem (sim, ano que vem!) teremos eleições e essa é a melhor maneira de protesto: um voto consciente e compromissado com os interesses coletivos. Viva nossa conscientização política!

WILSON FRANCISCO MOREIRA é agente penitenciário e sociólogo em Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res (55 linhas) e no mí­ni­mo 1.600 ca­rac­te­res (25 li­nhas). Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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