ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 24 de julho de 2013
Ivan Barbosa Mendes 
Ultimamente temos visto por todo o País uma série de manifestações populares cobrando mais honestidade dos políticos. Creio que este seja o pensamento de 100% da população. Até a pessoa mais humilde sabe que se tivermos pessoas honestas trabalhando no poder público, teremos uma cidade, um Estado e um país melhores. Sempre tive a opinião de que os governantes são o reflexo do povo. Alguns leitores podem se indignar com isso, dizendo que não são desonestos e que eu estou cometendo uma injustiça. Para não cometer nenhuma injustiça explico.
Vivemos em um regime democrático, que nada mais é do que vence a opinião da maioria. Assim, vereadores, prefeitos, governadores e políticos em geral são eleitos pela maioria da população, pois esta assim o quis.
Infelizmente, muitos brasileiros ainda cultuam a famosa "Lei de Gérson". Faço um pequeno parênteses para relembrar aos leitores essa lei que reflete um pouco do "jeitinho brasileiro".
Na cultura brasileira, a Lei de Gérson é um princípio em que determinada pessoa age de forma a obter vantagem em tudo que faz, no sentido negativo de se aproveitar de todas as situações em benefício próprio, sem se importar com questões éticas ou morais.
A expressão originou-se em uma propaganda de1976. O vídeo apresentava o então meia armador Gérson, da Seleção Brasileira de futebol, como protagonista.
O vídeo inicia-se associando a imagem de Gerson como "cérebro do time campeão do mundo da Copa do mundo de 70". É narrado pelo entrevistador de terno e microfone na mão e se passa em um sofá de uma sala de visitas. O entrevistador pergunta o porquê de (cigarro) Vila Rica, e durante a resposta recebe um cigarro de Gerson e acende enquanto ouve a resposta, que é finalizada com a frase: "Por que pagar mais caro se o Vila me dá tudo aquilo que eu quero de um bom cigarro? Gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem você também, leve Vila Rica!".
Até hoje cultuamos essa lei, por vezes sem perceber. Exemplifico. Quantas vezes não vemos as pessoas furarem a fila, estacionar em vaga de portador de necessidade especial, parar o carro em faixa dupla, não devolver o troco recebido em valor maior, não cumprir com a jornada de trabalho contratada, pegar atestados médicos falsos para faltar ao trabalho, etc?
Para tudo se cria uma desculpa para justificar essas desonestidades. Para não tomar muito tempo, cito apenas um exemplo, o qual mais me indigna. A pessoa estaciona na vaga de portador de necessidade especial e sai do carro. Essa situação me causa muita revolta e toda vez que presencio, vou de encontro à pessoa comunicar que ela estacionou em local proibido. As desculpas começam a surgir: É rapidinho, já estou saindo..." ou "aqui não tem deficiente físico" ou "vá cuidar da sua vida...".
É incrível a falta de respeito com o próximo, ainda mais sendo este um portador de necessidade especial. Além da falta de honestidade, falta também educação e senso de humanidade nesse tipo de situação.
Os valores éticos e morais de uma sociedade são frutos de anos de história. Estes ensinamentos são transmitidos pelos pais, pelos educadores, pelos formadores de opinião e inclusive pelos políticos.
Todavia, a sociedade não muda apenas com discurso. A sociedade muda com exemplos. A cultura brasileira precisa mudar. Se não mudarmos nossa atitude, jamais teremos um País melhor. Se continuarmos cultuando a Lei de Gerson, persistiremos no erro.
O "jeitinho brasileiro" tem que ser ultrapassado! Temos que mudar nosso pensamento, ou melhor, temos que dar exemplos de atitudes honestas!
Só assim se muda um país. Lembrem-se, os políticos são o reflexo da população!
IVAN BARBOSA MENDES é promotor de Justiça em Ibaiti
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