Na escuridão podemos ver

É na escuridão da noite que conseguimos ver as estrelas. Durante o dia elas estão lá no céu, porém não as podemos ver já que a luz do sol é muito mais intensa e ofusca a luz das estrelas. É preciso, então, que o sol se ponha e a escuridão se faça presente para que possamos ver o brilho delas, ou seja, a escuridão permite ver coisas mais sutis que, de outra forma, não seriam vistas. Podemos pensar nisso tudo e fazer uma analogia com o funcionamento da mente.
Quando nossa mente se encontra bem e sem nenhuma urgência que pede por atenção, muitas vezes, não nos damos conta de como funcionamos e de nossas sutis características internas. No entanto, quando enfrentamos problemas e ficamos angustiados começamos a perceber um funcionamento de nossa mente antes desconhecido. É na escuridão da mente ou na nossa angústia que podemos vislumbrar processos que se encontravam ocultos, mas que existiam e influenciavam a maneira que vivíamos.
A angústia que sentimos, e que uma hora ou outra sempre aparece, é muito mal compreendida. A tendência é sempre se livrar da angústia o mais rápido possível sem nem ao menos pensar sobre o que ela significa e que conhecimento novo pode nos trazer. Mas a angústia, por pior que seja, é o sintoma que devemos compreender, é o sinal de que algo precisa ser repensando na vida. Querer se ver livre do sintoma, nesse caso a angústia, é o mesmo que querer evitar o trabalho de enxergar e mudar coisas importantes no nosso funcionamento mental.
Compreender e aceitar nossa escuridão interna permite que vejamos coisas importantes e que fiquemos mais conscientes sobre como funcionamos. Isso acontecendo podemos ficar mais sábios sobre nós mesmos em vez de ficarmos ignorantes e perdidos no escuro. A saúde mental não significa que nosso sol simbólico tenha que estar sempre brilhando e permanecer sempre na luz, mas tem a ver com o poder enxergar até mesmo na escuridão, usar a luz das estrelas como guia, tal como os antigos navegadores. Saúde mental é poder ver e trazer uma compreensão seja qual for a situação.

SYLVIO DO AMARAL SCHREINER é psicoterapeuta em Londrina




Parquímetros e Zona Azul

O sistema de estacionamento rotativo foi adotado nos grandes centros urbanos para tentar conciliar a proporcionalidade muito desnivelada entre a quantidade de veículos e os espaços destinados para estacionamento. Em Londrina a zona azul é um exemplo de funcionalidade desse sistema que, além de cumprir os seus objetivos precípuos, sustenta um trabalho social muito importante.
A adoção dos novos parquímetros para na zona azul eleva Londrina aos padrões dos grandes centros urbanos internacionais. O sistema teria todas as condições para funcionar com excelência, não fosse certas adversidades, fruto de um comportamento provinciano que ainda precisa ser superado. Por exemplo: o oportunismo de alguns vereadores que insistem em medidas puramente eleitoreiras, criando leis absurdas que podem inviabilizar o processo, se preocupando com insignificâncias para agradar seus eleitores. Também é preciso bom senso por parte de alguns usuários, que pretendem a devolução de míseros centavos porque antecipou a desocupação da vaga. A revoltante covardia dos vândalos, que picham os aparelhos e tentam arrombá-los, é outro problema que atrapalha a sua funcionalidade.
Observa-se, também, a velha mania de querer levar vantagem em tudo: usuários dando o calote no agente quando permanecem muito além do tempo de tolerância ou ocupando vagas especiais sem estarem credenciados para tal. Idosos espertalhões que permanecem o dia todo estacionado na vaga, burlando a fiscalização e outras tantas atitudes deseducadas que prejudicam o sentido benéfico da rotatividade de ocupação do espaço. Quanto a tolerância de quinze minutos, a solução mais prática já sugerida é programar a máquina do parquímetro para emitir um cupom identificando a gratuidade.

LUDINEI PICELLI é administrador de empresas em Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res (55 linhas) e no mí­ni­mo 1.600 ca­rac­te­res (25 li­nhas). Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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