Em 1974, Richard Nixon, presidente dos Estados Unidos, renunciou ao cargo por conta do escândalo de Watergate. Nixon encerrou a carreira política. Em 1998, o general Augusto Pinochet, ditador do Chile de 1973 a 1990, foi preso na Inglaterra por crimes contra a humanidade e, repatriado para o Chile em 2000, foi processado, mas faleceu em 2006, aos 91 anos, antes de iniciar o cumprimento da pena.
Em 2007, o ministro japonês Toshikatsu Matsuoka cometeu suicídio após ser acusado de desvio de dinheiro público feito por ele 10 anos antes (quando não era ministro). Bernard Madoff, megainvestidor de Nova York, em 2008 foi pego num golpe de R$ 65 bilhões. Foi preso, algemado em público e condenado a 150 anos de prisão. Tinha 75 anos.
Em Londres, em 2009, Lord Truscott e Lord Taylor of Blackburn, membros da Câmara dos Lordes, tiveram seus cargos e direitos políticos suspensos por corrupção. A última vez que isso aconteceu foi há 371 anos, em 1642! Em 2011, o presidente do Fundo Monetário Internacional (FMI) e candidato à presidência da França, Dominique Strauss-Kahn, foi preso pelo FBI no aeroporto, dentro do avião, saindo dali algemado. Abusara sexualmente de uma camareira de hotel. Desmoralizado, sua carreira acabou ali. No mesmo ano, o ex-ministro da Coreia do Sul, Lin Sang-gyu cometeu suicídio ao ter sido envolvido em caso de corrupção. Há um mês morreu na prisão aos 87 anos, o general Rafael Videla, ex-ditador da Argentina de 1976 a 1981. Cumpria pena perpétua por crimes contra a humanidade. Ainda em 2013, o ex-presidente da Argentina, Carlos Menen, foi condenado a 7 anos de prisão por tráfico de armas quando era presidente. No mesmo ano, na Inglaterra, o ex-ministro Chris Huhne e sua ex-mulher Vicky Pryce foram condenados à prisão porque, em 2003, o então ministro mentiu sobre uma simples multa de trânsito. Dez anos depois, descoberto, foi preso. Há 10 anos, nos Estados Unidos., um casal jovem assassinou brutalmente a tiros de revólver e pistola dois casais de amigos. A moça, com 17 anos, não pôde ser condenada à morte, então recebeu a pena de prisão perpétua. Em junho deste ano, um adolescente que estuprou e matou uma colega de escola foi condenado à prisão perpétua na França. Nos Estados Unidos ainda este mês, uma mulher que castrou o marido e jogou seu órgão sexual no lixo, foi condenada à prisão perpétua.
Como vimos, crimes ocorrem em todos os países, atrasados ou não. A diferença entre eles e o nosso País, é que lá os criminosos são presos e submetidos a penas adequadas, pouco importa sua condição social ou idade, se uma dona de casa irada com o marido ou um presidente da República – o tratamento é o mesmo.
No Brasil, uma moça de 17 matou a própria mãe de forma cruel e covarde (a mãe estava dormindo) e foi condenada à expressiva pena de 3 anos em um "centro de ressocialização" e sairá de lá com a ficha limpa, como se não tivesse cometido o crime.
Membros da alta classe política cometem crimes da mais sórdida corrupção e, condenados pelo Supremo Tribunal Federal, continuam exercendo normalmente suas atividades. Um deles, deputado federal, é membro da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara! O outro, o vice-chefe da quadrilha, exige a retirada do ministro Joaquim Barbosa da sequência do julgamento. Complexo de rei? Aliás, se foram condenados pela última instância da lei, como ainda têm "saídas" para tentar? O atual presidente do Senado está incurso em três processos e posa de paladino da Câmara Alta. Os crimes da família mais poderosa do Maranhão destruíram aquele Estado. Nunca foram punidos. Quantos dos condenados do mensalão estão na cadeia? Quantos apareceram algemados? Temos uma Justiça válida apenas para ladrão de galinhas. Nosso Código Penal é realmente digno de pena!

PAULO ANDRÉ CHENSO é médico e professor em Londrina

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