ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 15 de julho de 2013
Carlos Henrique Gorges Vici 
Atualmente, convivemos com um deficit na migração dos alunos do ensino médio para o ensino superior presencial. A cada ano, nossos jovens reduzem suas expectativas de entrada na universidade, pois o funil de vagas nas instituições públicas não consegue atender à demanda apresentada pela comunidade.
Como alternativa para esse cenário, desde 2010 o governo federal, por meio do Ministério da Educação, apresentou um novo formato do Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies) oportunizando o ingresso do jovem ao ensino superior com qualidade, além de produzir mecanismos para não endividar esses futuros profissionais.
Mas indicar o financiamento a um jovem hoje é algo coerente? Dependendo do objetivo, a resposta é sim. Como educadores (e nesta classe consideramos pais, professores e profissionais de todas as áreas) temos a obrigação de orientar nossos jovens a investir no seu futuro profissional. O Fies deve ser encarado como um investimento no potencial do jovem, uma ferramenta de transformação social para aqueles que não possuem condições de entrar numa determinada instituição e que podem empreender em suas ações do dia a dia a mudança social em sua própria vida, e iniciar a mudança assumindo como ponto inicial seus estudos.
Como atrativo o Fies tem sua taxa de juros de 3,4% ao ano, o que equivale a menos de 0,27% ao mês. O juro da poupança é praticamente o dobro do Fies (desta forma, caso o aluno tenha o valor para pagamento, pode investir seu dinheiro na poupança e ao final do curso pagar pelo financiamento com sobra de capital). Comparando-se a outros valores praticados no mercado financeiro, o Fies é muito mais atrativo (casa própria 12% ao ano, automóveis 40% ao ano, cheque especial 160% ao ano e cartão de crédito 227% ao ano). Vale lembrar que a diferença essencial está em investir na educação com qualidade e, dessa forma, poder planejar ações futuras, como a compra de seu carro, de sua casa própria e uma melhor organização financeira de sua vida, pois esse jovem estará inserido no mercado de trabalho e capacitado para assumir o controle financeiro de seu futuro.
Na prática, a ferramenta funciona da seguinte forma: o aluno deve procurar uma universidade/faculdade particular reconhecida pelo MEC e fazer seu processo seletivo. Depois de aprovado, deve acessar o site do Fies (www.sisfiesportal.mec.gov.br/) e se inscrever no financiamento. Desde a matrícula até a conclusão do curso o aluno paga no máximo trimestralidades de R$ 50. Após esse tempo, o jovem formado terá mais um prazo de 18 meses com mensalidades fixas de R$ 50. Depois desse período, já inserido no mercado de trabalho, ele assume o pagamento da amortização do Fies, num prazo que pode chegar a três vezes o tempo contratado (exemplo: cursos de 4 anos, o financiamento pode chegar a 12 anos).
Como responsabilidade o aluno deve ser atento aos seus estudos podendo "carregar" no máximo duas dependências durante o financiamento e sem reprovações. A responsabilidade também é exigida para a universidade/faculdade que só pode oferecer o Fies com seus cursos bem avaliados.
Em resumo, abrir o horizonte ao aluno, proporcionar a estabilidade financeira durante sua graduação, dar suporte para que ele seja inserido no mercado de trabalho e, por fim, retornar o crédito apresentado sem que se altere a saúde financeira de uma nova família estruturada que assim é gerada.
Mais dúvidas sobre o Fies? Procure uma universidade particular e simule o seu financiamento.
CARLOS HENRIQUE GORGES VICI é professor, membro da Associação Brasileira
para Desenvolvimento de Lideranças e diretor da Unidade Tietê da Unopar
■ Os artigos devem conter dados do autor e ter no máximo 3.800 caracteres (55 linhas) e no mínimo 1.600 caracteres (25 linhas). Os artigos publicados não refletem necessariamente a opinião do jornal. E-mail: opiniao@folhadelondrina.com.br


