ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 28 de junho de 2013
Manuel Joaquim R. dos Santos 
Estupefatos! Surpresos! Admirados! Orgulhosos! Assim nos sentimos diante do acorda Brasil que está sendo levado a cabo nas cidades brasileiras! Bandeiras difusas, mas reais e concretas que ampliam o grito rouco dos brasileiros, indignados e revoltados com a situação geral de incoerências e mentiras que a política nos proporciona.
O poder público e as instituições da República, não conseguem entender este "levante do gigante adormecido". Era previsível! Como iriam entender o povo se há anos governam de costas para ele? Com diria Antônio Gedeão, não podem entender a voz do povo os que vivem "sentados nos grandes cadeirões deste pequeno mundo, se esquecem de que ele roda a milhares de quilômetros por segundo"!
Os jovens que inundaram num mar de cidadania as nossas praças podem não saber o que desejam! Mas sabem o que não querem! Dizem um não peremptório a essa forma caduca de política geradora de morte e incertezas sobre seu futuro. Nisso eles estão bem próximos dos seus irmãos europeus. Lá como cá, a bandeira se levanta contra os políticos da hipocrisia e das administrações ambíguas que sonham com a perpetuação do pão e circo para a manutenção do "status quo". Não é mais direita nem esquerda, conceitos obsoletos. Trata-se de uma saturação, de um esvaziamento da própria política em si. Um modelo falido. Estava tudo isso dito numa frase pichada num muro: "Se votar mudasse alguma coisa, seria proibido"! Os jovens não acreditam na democracia fajuta e mentirosa que justifica e legitima os atuais governantes, aqui ou noutro lugar!
Os 20 centavos da tarifa de ônibus valem uma fortuna na demonstração de cidadania e indignação, demonstrada pelos imberbes que se recusam a aceitar incoerências como gastos estratosféricos em estádios em detrimento de hospitais sucateados! Esses jovens e adolescentes revitalizaram as cores da bandeira brasileira e resgatam assim o orgulho de tê-la como símbolo dos filhos que não fogem á luta! Nisso eles prestam um tão grande serviço à democracia e à liberdade que nenhum instrumento de ciências sociais poderá mensurar no momento.
Ainda é muito cedo para uma análise profunda sobre o significado último destas manifestações juvenis. Ignorá-las ou tentar aproveitá-las no pior sentido do termo, como sempre sonham alguns políticos de plantão, é o pior que se pode e deve fazer. Elas devem atingir as nossas entranhas profundamente, derrubar qualquer acomodação que tenha tomado conta de nosso ser e resgatar a capacidade de sonhar com um mundo melhor. O Brasil da Copa e das Olimpíadas pode ser um engodo sim! As multidões que gritam slogans de ordem nas grandes cidades denunciam a venda de uma imagem errônea e mentirosa de nosso país. E vão mais longe! Demonstram pleno conhecimento de que o custo Brasil é insuportável e de que a corrupção nos Três Poderes tornou-se intragável e, portanto, exigem que pare! Parem isso ou paramos o Brasil! É o grito de guerra! Há muito não se via isso nas nossas ruas! Uma linguagem que está criando dificuldades de interpretação e que fez nossos mais diversos políticos ficarem perdidos.
Elogiar o movimento é muito pouco e pode parecer cinismo. Sabemos que é um movimento sem dono, abomina bandeiras partidárias e é contra o sistema em si. Os governantes atuais buscam discursos adequados para reconhecê-lo e até valorizá-lo. Mas isso cheira a medo; não sabem dialogar com manifestações populares atípicas no mínimo. E de uma forma ridícula tentam fazer coro com esses movimentos. Mostram-se hilários ao valorizá-los. Jovens que se cansaram de maus serviços prestados e já pagos com impostos, são perigosos para os que adoram se manter no poder.
MANUEL JOAQUIM R. DOS SANTOS é padre na Arquidiocese de Londrina
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