ESPAÇO ABERTO
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quarta-feira, 26 de junho de 2013
Walmor Macarini 
Tenho dito que não há poder maior que o de um povo cheio de razão e que decida agir. Os acontecimentos das últimas semanas demonstraram com evidência esse poder. E refletiram a realidade - muitas vezes exposta ao longo da história humana - de que o povo é o primeiro poder, portanto, superior aos poderes legalmente regulamentados. Se é verdade que esses poderes existem para ser, constitucionalmente, depositários das vontades populares representadas pela maioria, certo é que quando eles perdem essa hegemonia pelos desmandos e pelo descumprimento do dever o povo democraticamente organizado toma as rédeas, como está fazendo agora. Algumas conquistas já foram obtidas.
Aqueles a quem foi confiado o poder deveriam estar envergonhados do esvaziamento dessa representatividade, e se fossem honestos renunciariam coletivamente. Que grandioso gesto seria! Mesmo os políticos mais qualificados cometem ao menos um pecado: o de consentir no recebimento dos polpudos ganhos e nas mordomias e benfeitorias que os cargos permitem. Ao menos um deles deveria dizer que não aceita isso, mas tal ainda é utopia. Os "desvios de comportamento" têm muitas facetas e esta é uma delas.
Parece que, depois dos movimentos passados que resultaram na cassação presidencial e nas "diretas já", o povo desta vez consolidou a convicção do próprio poder e passou a acreditar na força que tem. As multidões devem até estar surpresas com essa coesão e esse poder de organização e aglutinação, e com o apoio da nação inteira. Só a militância está contra, e ela deve estar representada em boa parte pelos baderneiros, que se apresentam mascarados, sem mostrar a cara. As redes sociais, não tão poderosas ou quase inexistentes nos movimentos anteriores, constituem agora uma vigorosa alavanca, capaz de mobilizar em minutos toda a nação e inclusive brasileiros no exterior. O povo sentiu que pode.
É hora de não dar oportunidade a que políticos aproveitadores se manifestem. Eles já tiveram a sua vez e tempo de sobra para isso. Agora devem ficar na moita e ouvir com responsabilidade e uma "mea culpa" o "brado retumbante" das ruas e ler atentamente o que as mensagens querem dizer. Elas são dirigidas aos governantes e também aos coniventes "civis" - porque a corrupção também tem mão dupla. A presidente temerosa, e também oportunista depois que as manifestações ribombaram nos recônditos do sistema, anuncia algumas medidas, mas revolta perceber que havia condições de tê-las tomado antes. Só faltou vontade, demonstrando que, mediante pressão, funciona! Valorosos jovens, que enchem as ruas e nos enchem de orgulho e entusiasmo.
Percebe-se que até aqueles que de início qualificaram de baderneiros os manifestantes, agora estão cautelosos e até passaram a dar apoio, talvez não por convicção, mas muito provavelmente por receio. No caso dos governantes, eles têm sim medo do povo. Só não respeitam os acomodados e subservientes, mas entram em pânico quando as multidões se levantam. O temor é simplesmente pela possibilidade da perda do mando, pois não querem perder as regalias que eles mesmo criaram para si, o que caracteriza uma forma de ditadura. Agora as barbaridades do sistema governamental brasileiro estão emergindo do lamaçal. E o mundo inteiro está vendo.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina
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