ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de junho de 2013
Renato Pianowski de Moraes 
A coleta seletiva em Londrina andou para trás nas ultimas gestões, como todos já puderam observar e como constatou o editorial da FOLHA "Importância da coleta seletiva" (Opinião, 15/6).
Londrina já recebeu prêmio nacional, foi referência juntamente com Curitiba e Porto Alegre em monografias, dissertações e teses no tocante à coleta seletiva.
O duro de tudo isso é saber que quem realmente está falhando é o município, que não cumpre com sua obrigação mais básica: fornecer os sacos verdes e faltar com a promoção da educação ambiental contínua, conforme o faz Curitiba. Por que os sacos verdes têm que ser de plástico e do material dos sacos de lixo? Por que não podem ser de aniagem ou ráfia, reutilizáveis?
Há pouco mais de três anos, depois de muita propaganda de uma amiga arquiteta, visitei uma recicladora modelo em Bilac (SP). Vi que eles eram ponta, como nós, em reciclagem de embalagens de pesticidas e que estavam estendendo à zona rural a coleta seletiva de recicláveis domésticos que dada à carência de materiais, pasmem, eram remunerados. Explico, a recicladora entrega um saco grande de ráfia - lá chamado de ecobag (material usando para embalar açúcar ou milho o popular saco trançado), onde o agricultor coloca todo tipo de material reciclável de origem doméstica. Uma vez cheio, é levado à recicladora que paga conforme o preço de cada material. Para mim, na época isso era novidade, e coloquei na minha tese.
Hoje vejo que as cooperativas londrinenses já usam esses sacos para facilitar seu trabalho interno e a Kurica também faz uso desse sistema há uns dois anos, pelo menos.
Dia desses sugeri que minha esposa (para não parecer professoral ou pedante) sugerisse ao prefeito Alexandre Kireeff pelo facebook, sua utilização substituindo os sacos verdes de plástico. Ela o fez e recebeu aquela mensagem muito comum dos órgãos públicos: sua sugestão está sendo encaminhada ao órgão competente.
Algumas semanas atrás, um leitor sugeriu a mesma coisa na seção de cartas da Folha de Londrina. Tem mais gente querendo simplificar, improvisar, adaptar, como diria aquele filme do Clint Eastwood o "Destemido Senhor da Guerra".
A prefeitura vai adotar? Respondo: não! Vamos adotar contêineres setoriais que podem ser objeto de vandalismo vejam em São Paulo e em Porto Alegre nas manifestações e depredações em geral. Vamos continuar até a exaustão do sistema gastando cerca de R$ 100 mil por mês com sacos plásticos verdes para atender parte do problema. Em 2001 eram R$ 12 mil (dados da minha dissertação). E não temos verba para o restante! O problema é a cor? Compra-se material verde, ou coloca-se uma logomarca da prefeitura ou de cada cooperativa, inclusive para não ser desviado para outros fins. Podem ser feitos sacos grandes que, quando cheios, podem ser trocados por sacos vazios. Só trocaremos cada lote quando puírem totalmente.
Sugeri na tese que os catadores poderiam ter um saco maior no carrinho contendo menores para já trazer o material previamente separado para as cooperativas, o que pouparia valioso tempo.
Fácil? Muito! Porém, não considere isso uma crítica, mas constatação. Queremos copiar Barcelona, parabéns! É linda! Limpa! Copiemos Zaragoza que dá para deitar no chão de tão limpa. Ou façamos o seguinte, copiemos a velha Londrina de guerra quando a coisa funcionava. Não temos que ter vergonha de copiar nada. Vejam os parquímetros, os táxis, os carros e o uniforme da Guarda Municipal, mas vamos simplificar, improvisar, adaptar e, principalmente, acelerar!
RENATO PIANOWSKI DE MORAES é economista e professor na Universidade Estadual de Londrina
■ Os artigos devem conter dados do autor e ter no máximo 3.800 caracteres (55 linhas) e no mínimo 1.600 caracteres (25 linhas). Os artigos publicados não refletem necessariamente a opinião do jornal. E-mail: opiniao@folhadelondrina.com.br


