ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Sylvio do Amaral Schreiner 
O fim de um relacionamento é um daqueles momentos que mais trazem dor para o casal. Tudo começou bem, casaram-se, mas após algum tempo as coisas começam a mudar e aquele amor que existia, aquele encanto que inspirava, termina. Ninguém entende por que as coisas chegaram até esse ponto, porém entende que não dá mais, não há mais amor e nem aquela vontade de ficar junto. Só resta, então, a separação e todo o dissabor e emoções negativas que ela desperta.
É ruim quando algo que pensávamos ser para sempre, termina. Mas é pior quando insistimos em algo que já não mais funciona e que traz tanto desgosto. Há muitas pessoas que temem a separação, achando que não conseguirão sobreviver a ela. Por causa desse temor insistem no relacionamento de forma a tentar ressuscitar algo que já se foi e assim se machucam, se enganam e machucam também aquela pessoa que um dia amaram. Quando algo termina é preciso encarar a realidade e saber virar uma página da vida para começar outra. Não dá para se enganar e fingir que o fim do relacionamento nunca aconteceu. Isso é só adiar algo que inevitavelmente vai acontecer e que quanto mais prorrogação houver vai trazer mais sofrimentos.
O que faz com que muitas pessoas fechem os olhos para não ver o fim de um relacionamento é que sentem isso como um fracasso. Acham que têm a obrigação de fazer as coisas darem certo, mesmo que seja à força. Relacionamentos acabam mesmo, é algo natural. E muitas vezes aquela pessoa que tanto nos encantou no passado e a pessoa que éramos não existem mais. As coisas mudam e as pessoas também. E, na grande maioria das vezes, quando um relacionamento termina, nem existe culpados. É apenas como os fatos e coisas se desenrolaram. Quem está vivendo um final de relacionamento precisa ver que isso não é fracasso, mas parte da realidade da vida. Em muitas religiões a separação é vista com desagrado, mas o durar para sempre até que a morte os separe é um engano porque não corresponde à realidade da vida. A separação é um direito e é bom que assim seja pois permite que sejamos livres.
Aliás, haver a separação pode ser muito bom para determinados casais. Eles podem ficar livres para continuar vivendo a vida e procurar alguém que realmente amem. Insistir com alguém que não dá mais é ficar preso e se impedir de viver dignamente. Agora, por mais duro e por quaisquer motivos que permeiam a separação, é necessário ter bom-senso e não deixar que sentimentos negativos como vingança e mágoa destruam a cordialidade. Quando algo não se dá como queríamos tendemos a expressar muita raiva e se apegar a destruição, mas isso nunca ajudou ninguém e nem resolveu nada. Ter bom-senso é conter as próprias emoções e não deixá-las tomar conta de nossas mentes e ações.
Muitas vezes há até filhos envolvidos e se separar demanda que haja mais cuidado ainda. Há muitos casos, e isso é triste, de casais que em vias de separação colocam os filhos no meio tornando tudo mais complicado e doloroso. Usar um filho na separação é um ato totalmente prejudicial à criança que acaba se sentindo responsável por algo que não é de sua responsabilidade. Por piores que sejam os ressentimentos envolvidos não adianta apelar para o que há de mau, mas é preciso ser maduro e aceitar as coisas e encontrar uma resolução satisfatória. Mesmo terminando um relacionamento fica-se a aprendizagem que ele proporcionou. É possível haver amadurecimento nesse processo doloroso dependendo de como cada um vai escolher lidar com a própria vida.
SYLVIO DO AMARAL SCHREINER é psicólogo clínico em Londrina
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