ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 11 de junho de 2013
Silneiton Favero 
Chegar ao crescimento econômico com sustentabilidade é tarefa complexa que exige a participação das empresas e dos governos. A premissa é o envolvimento dos negócios e da política econômica em uma agenda ambiental bastante ampla.
Ocorre que tal agenda será mais ou menos tangível para as empresas na medida em que afetar os negócios e a competitividade em um mercado globalizado. Nesse mercado, a capacidade das empresas para lidar voluntária e antecipadamente com a questão numa perspectiva de negócio tem sido determinante para produzir os avanços registrados até o momento em matéria de sustentabilidade. Porém, de nada adianta o amplo engajamento dos empreendedores à sustentabilidade se os governos não articularem políticas domésticas de crescimento verde.
Como avançar na qualidade do crescimento sem perder os ganhos que as sociedades já lograram em diversos campos, malgrado a existência de iniquidades e impactos ambientais? Quais experiências nos indicam algum caminho de superação do atual patamar de desenvolvimento? A verdade é que inexiste experiência em planejamento e implementação de estratégias econômicas de crescimento verde no mundo real, ao passo que se ressente de uma economia política que explique os seus fundamentos. Não obstante, há inúmeros exemplos de ação proativa de empresas e organizações em sustentabilidade, com benefícios visíveis e que frequentemente se estendem para além dos limites organizacionais. Entretanto, são insuficientes para caracterizar um modelo de crescimento verde porque isso precisa ser feito em um contexto de políticas que o favoreçam e não se observa nenhum resultado prático de amplo alcance nesse sentido.
Lembremos que o crescimento verde requer que indústrias, empresas e mercados financeiros utilizem, na escala adequada, tecnologias que sejam eficientes no uso de recursos naturais e modelos de negócio que internalizem as externalidades ambientais na alocação do capital. Em se falando de crescimento verde e sustentabilidade, as estratégias de negócio precisam estar ambientadas em políticas econômicas de longo prazo que as suportem.
O Brasil pode chamar a si a oportunidade de desenvolver, implementar e difundir estratégias inovadoras de crescimento verde sem descurar dos aspectos cruciais de desempenho econômico nos diferentes setores produtivos. Afinal, quer-se melhorar a competitividade comercial do país e desenvolver a economia nacional a fim de promover o bem-estar para toda a população. É, pois, o momento de exercitar os fundamentos do crescimento verde na experiência concreta da economia e dos negócios: produção, comércio, consumo, finanças e contas nacionais. Esse caminho é longo e, evidentemente, seu êxito depende do concurso de todos os países. Mas é um desafio que deve ser enfrentado desde já, apesar das dificuldades conceituais e práticas envolvidas.
Do ponto de vista das empresas, os riscos adicionais aos negócios no contexto das mudanças ambientais globais podem ser vistos como oportunidades para obter eficiências operacionais e financeiras, bem como para desenvolver novos negócios, mais sustentáveis em todos os aspectos. Os governos devem tratar os espaços para mudanças de política econômica numa perspectiva de longo prazo, compatível com os pressupostos do desenvolvimento sustentável. A viabilidade econômica de negócios, a criação de valor nas cadeias produtivas e o lucro para os acionistas podem estar na intersecção com resultados sociais e ambientais, com o bem comum.
A busca pelo encontro entre crescimento e sustentabilidade pode converter-se em uma fonte de novas eficiências e pode trazer inovações diversas. Essa integração é essencial para o futuro das sociedades humanas.
SILNEITON FAVERO é consultor sênior em sustentabilidade em São Paulo
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