Consumidor visto como um iceberg
Milton Ruíz

Quando pensamos em um iceberg (grandes blocos de gelo que flutuam nas águas geladas do oceano) a imagem se forma apenas com a parte visível aos nossos olhos, sendo que a maior parte de sua estrutura fica submersa.
Simbolicamente, podemos visualizar o consumidor se movimentando na sua empresa apenas como um ponto do iceberg. Suas reais intenções, motivações e atitude permanecem ocultas.
Analisando a metáfora do iceberg podemos quebrar o gelo e compreender que o consumidor é movido por influências "submersas" que justificam seu comportamento. Quem é inteligente usa o marketing para mergulhar nas águas geladas e assim desvendar os motivos/causas do comportamento do consumidor.
Você pode estar pensando se não é um pouco demais querer entender o comportamento do indivíduo a partir de padrões, não é mesmo? Então, experimente fazer o seguinte exercício:
Pare e pense um minuto em seu próprio comportamento ao ir ao supermercado ou ao shopping center. Identificou algum padrão? Pois é isso que as teorias tentam definir.
Os seres humanos desenvolvem a personalidade por que é eficiente construir um repertório-padrão de respostas ao ambiente, em vez de imaginar uma nova resposta toda vez que uma situação surge.
Portanto, a propaganda e os profissionais com visão no "mar do Ártico" trabalham e sabem muito bem disso. A sedução do consumidor está focada exatamente no que o ser humano tem de mais impulsivo e primitivo. Portanto, que tal fazer um curso de pós-graduação "reino dos instintos"? Com isso você estará apto a ser um impulsionador psíquico, regido pelo prazer de orientar o comprador ao estímulo ao adquirir produtos.
Como ponto final: nós somos um iceberg no qual o momento da compra é o que está visível e as motivações ocultas o que está submerso no mar. Pare e pense nisso!

MILTON RUÍZ é gerente de pós-vendas em Londrina

Começar pela melhoria dos adultos
Walmor Macarini

Para produzir jovens de qualidade, nós, adultos, temos de passar primeiro por um processo de purificação. Não podemos lhes ditar normas de conduta e evitar que muitos deles caiam na delinquência se nós, pais, professores, líderes religiosos e governantes não dermos o exemplo. Porque somos nós que, pelos hábitos, comportamentos e conversas nos círculos familiares e sociais, lhes repassamos ideias de mais valia representadas pela competição, no lugar de mais compartilhamento e solidariedade. Ressalvadas as exceções, os tons da doutrinação são de que o maior vence o menor e que o mais esperto triunfa sobre o mais cordato. Assim é, mas que não se deixe para trás os demais. Fica implícito, pelo que os mais velhos dizem (e os jovens ouvem), que esta vida é de sobrevivência e não de harmoniosa convivência. Muitos dirão: "Comigo não é assim". A estes, parabéns!
É frequente ouvir-se o discurso dos pais para com o filho de que ele precisa lutar para "ser alguém na vida", e esse padrão significa uma rendosa profissão, dinheiro, poder, status social. Objetivos naturais, mas outras virtudes, também desejáveis, não são muito exaltadas. Impera uma forte pregação do amor às posses, e nessa batalha muitos outros são atropelados pela concorrência predadora. A conquista só é válida quando sadia, pela busca de cada qual fazer o melhor, para o bem comum. Pouco se ensina que os direitos dos outros e seus anseios devem ser respeitados.
Ensinar algum cultivo de espiritualidade, que carrega em si uma infinidade de virtudes (não confundir espiritualidade com as denominadas obrigações eclesiais) é algo pouco comum. Cuida-se de cultivar a nutrição física e a satisfação dos desejos corporais, o que é salutar, mas não de nutrir também a alma, que assim desprezada se atrofia. Então, grandes vazios interiores se abrem e ali se alojam as angústias, tão frequentes em nossos dias. Nesse clima fica difícil aos jovens não seguirem pelos mesmos caminhos.

WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res (55 linhas) e no mí­ni­mo 1.600 ca­rac­te­res (25 li­nhas). Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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