Igualdade de gêneros
Bruno Nomura


Há muito fala-se de um dos problemas mais escancarados da sociedade atual: a desigualdade entre gêneros. Seja no trabalho, no meio social, até mesmo dentro da família, as mulheres ainda são alvo de uma vergonhosa discriminação. A ideia de que elas são o "sexo frágil", de séculos atrás, continua firme. Por que, nessa sociedade que costumamos chamar de "evoluída", as pessoas continuam com esse pensamento tão primitivo?
Vale citar um desafio: liste as mulheres brasileiras mais importantes de todos os tempos, as que fizeram a diferença na época em que vivem ou viveram. Duvido que você consiga elencar mais de 20 nomes. Talvez 15, se pensar bastante. É alarmante. Pare um pouco para refletir: em mais de 500 anos de história, apenas 15 cidadãs brasileiras ganharam destaque por algo de importante que realizaram. Há algo de errado nisso.
Não podemos negar que avançamos. A situação já melhorou bastante. Ainda assim, há um longo caminho a percorrer. Mesmo compondo a maioria populacional, ainda despreza-se muito quando dizemos que alguém é a chefe da família. Histórias de mulheres que recebem menos que homens no mesmo cargo e com a mesma qualificação? Imagina, nunca ouvimos falar de um absurdo desses! A presidente do Brasil é uma mulher. Para alguém que chegou ao poder só depois de 35 antecessores homens, foi uma conquista inimaginável. Afinal, é um consenso: lugar de mulher é atrás do fogão e longe da direção. Era totalmente imprevisível que um dia uma representante delas chegaria lá.
Não estou desmerecendo ninguém. Apenas acredito que estamos comemorando conquistas simples, mais do que previsíveis, e não estamos nos centrando no foco. Não se enganem: essas não são conquistas de verdade. O dia em que coisas como essa deixarem de ser raras e comemoradas, e quando pararmos definitivamente de julgar a capacidade de indivíduos pelo sexo, chegaremos, finalmente, à verdadeira igualdade de gêneros.

BRUNO NOMURA é estudante do ensino médio em Assaí

Adultos muito perigosos
Walmor Macarini


No momento em que se discute a maioridade penal é oportuno lembrar que são os adultos que fabricam e comercializam as armas, das quais se valem os menores infratores. São os adultos que criam e difundem as amostragens violentas, no cinema, na televisão, na internet, nos games. São os adultos que produzem e comercializam as drogas. São os adultos que fabricam o cigarro e todas as bebidas alcoólicas e estimulantes nocivos. São os adultos que colocam no mercado as motos e automóveis excessivamente velozes, que induzem à aventura da velocidade e à imprudência. São os adultos nos postos de governo que negligenciam criminosamente com a conservação de rodovias, propiciando acidentes que ferem e matam. Também estão entre eles os que praticam o roubo de dinheiro público e dão o exemplo de que, para eles, não há punição.
São os adultos que fazem vistas grossas ante as misérias sociais, mãe de muitos vícios e revoltas que conduzem a atos ilícitos. São os adultos que fazem as guerras e enviam para o front os jovens para serem mortos ou mutilados. Parodiando o estadista Georges Clemenceau, eu cometo o desabafo extremado de que a condução da humanidade em setores estratégicos é coisa séria demais para ser entregue totalmente na mão dos adultos.
Sim, estão também entre os adultos os grandes benfeitores, desde o operário mais simples aos homens honrados que os comandam e aqueles que semeiam sabedoria e exemplos de honradez, mas falta à maioria dos adultos a moral e a maturidade para criticar os desmandos da juventude. Esta, bastante contaminada pelos horrores do vício e da delinquência, mas ela teve de quem aprender: os adultos, pelo arsenal que recebeu deles. Causa e consequência. E assim, camadas destas duas categorias de indivíduos convertem-se mutuamente em perigo para si mesmas.

WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res (55 linhas) e no mí­ni­mo 1.600 ca­rac­te­res (25 li­nhas). Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

mockup