PEC 37: atraso para o Brasil
Eduardo Augusto Mansano Manso
Todos sabem que o Brasil é um país multicultural, adornado por belezas naturais e preenchido por um povo heróico que manifesta seu brado retumbante pela democracia. É através desse grito que a população deve ser alertada em relação à Proposta de Emenda à Constituição número 37 (PEC 37) que pretende tirar o poder de investigação criminal dos ministérios públicos (Mps) estaduais e federal, causando um lesivo risco a nossos princípios constitucionais.
É por meio dessas investigações que o MP descobre a corrupção, crime organizado, desvio de verbas, violação dos direitos humanos, lavagem de dinheiro, dentre outros, que infelizmente estão muito próximos de cada um nós. Precisamos entender que essa emenda à Constituição trará graves riscos a nosso convívio social. Pior, será um reforço para a corrupção, oportunidade em que dará cobertura à impunidade, pois sem investigação ficará muito mais fácil para os políticos corruptos desviarem o dinheiro público.
Com a aprovação da PEC 37 ficaremos sem voz. Quem tomará frente das investigações será a polícia que não tem prerrogativa da inamovibilidade, podendo ser afastada das averiguações a qualquer momento por seu superior hierárquico, sem contar que a população não teria a quem recorrer em caso de omissão policial. Denota-se que em todo o mundo apenas Quênia, Indonésia e Uganda vedam a investigação do MP.
A PEC 37 será um atraso à sociedade, gerando incerteza e insegurança jurídica, oportunidade em que o sistema de investigação criminal ficará desarranjado. Para continuarmos tendo paz no futuro e mantermos a glória do passado, a égide das investigações criminais tem que continuar com o MP.

EDUARDO AUGUSTO MANSANO MANSO é estudante de Direito da Universidade Norte do Paraná e estagiário voluntário do Ministério Público do Paraná

Se o procuras, já o achaste
Walmor Macarini

Jesus falou, quando de seus dias terrenos, que é difícil revelar Deus a quem não deseja saber dele. Mas, ao responder a um homem poderoso que dizia haver tentado tantas vezes procurar por Deus, sem encontrá-lo, Jesus disse-lhe: "Se o procuras, já o encontraste, porque Ele te encontrou". Tudo chega a seu tempo - lembrou - e, fora desse tempo, não se deve gastar palavras com quem não vai entender. Imaginamos nós que seria como tentar convencer um fanático contra uma crença a que está arraigado. Certa vez perguntaram a Jesus porque era tão fácil para ele fazer amigos, e a resposta foi que o caminho era tornar-se interessado pelos semelhantes, aprender a amá-los e fazer algo que eles querem que seja feito. E, citando um provérbio judaico, disse que um homem que deseja ter amigos deve mostrar-se amistoso.
Jesus demonstrou não ser favorável à formação de igrejas organizadas, e falando a um líder religioso, em Roma, disse que o indivíduo espiritualmente cego segue apenas o caminho de sua lógica e ditames da ciência, mas corre o risco de sacrificar sua liberdade espiritual. Tal alma - afirmou - está sujeita a ser como um autômato intelectual e um escravo de autoridades religiosas.
Ao descer à Terra Jesus trouxera em sua memória remota todos os conhecimentos, mas nesta densa dimensão terrena quase tudo se apaga, por isso ele teve de estudar e experienciar. Jesus estudou Platão e aprovava muitos ensinamentos gregos e judeus, mas, numa conferência de doutores, alguém perguntou-lhe porque não se levantava e falava a eles das grandes verdades, em contraposição ao que diziam, e a resposta de Jesus foi esta: "Eles não estão predispostos a ouvir, pelo orgulho da erudição não espiritualizada. O verdadeiro mestre é aquele que continua sempre em seu aprendizado".
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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