Narcisismo
Sylvio do Amaral Schreiner


Freud usou o termo narcisismo para descrever um estado mental que traz muito empobrecimento. Ele tirou esse termo da lenda grega de Narciso que era um belo jovem que ia todos os dias admirar seu reflexo num lago. Ele recebia atenção de muitos por sua notável beleza, porém nunca olhava para ninguém que não fosse a si próprio. Um dia caiu no lago em que se autoadmirava e morreu afogado. No local em que morreu nasceu uma flor que recebeu seu nome.
É natural e esperado que algum grau de narcisismo todos tenhamos. O bebê, por exemplo, é puro narcisismo, pois acha que o mundo e a mãe existem apenas para satisfazê-lo. O bebê não entende que há outros fora dele. No começo da vida podemos ter essas ilusões senão seria muito difícil viver. Conforme esse bebê cresce, ele tem a chance de perceber que ele não é o único no mundo e que outros estão presentes e têm necessidades. É necessário, então, se adaptar. Claro que algum resquício do narcisismo infantil permanece quando somos adultos, mas quando isso fica muito intenso é que aparece os problemas. Tal como o Narciso do mito os narcisistas da vida real não estabelecem ligações verdadeiras com os outros. Ficam autoinvestidos, sem conseguirem investir em relacionamentos externos e excluem tudo e todos que não seja a si próprio. Por isso que há um empobrecimento, já que se isolam e tendem a cultivar ilusões de que se bastam e de que os outros só existem para confirmar sua importância, mas o fato é que precisamos dos outros.
O narcisista não reconhece o outro como independente, um ser a parte, mas o tem como parte de sua mente e que está ali para satisfazer seus desejos. Por isso os narcisistas são pessoas que têm uma baixa tolerância a frustrações e se irritam facilmente quando suas vontades não são atendidas. Tratam o outro como objeto, não como pessoa. Se afogam em si mesmos numa pobreza interna. Não é fácil deixarmos o narcisismo e passarmos a ser humanos de fato. É sempre um processo doloroso, mas que se faz vital para que cresçamos humanamente e com qualidade.

SYLVIO DO AMARAL SCHREINER é psicólogo clínico em Londrina




Um ser divino, sábio e intelectual
Walmor Macarini


Jesus, cujo espírito procedia de elevadíssima dimensão, não era apenas um ser iluminado mas converteu-se também num homem culto e de vasto conhecimento acerca das coisas terrenas. Sua vida na infância, adolescência e juventude foi de muito trabalho na carpintaria e oficina de consertos da família. Ele era um exímio fabricante de barcos, também trabalhou para terceiros e recebeu salários, cuidou da mãe e dos irmãos na orfandade, tocava harpa e era bem-humorado.
Jesus conhecia as escrituras hebraicas e os fundamentos de todas estas religiões: judaísmo, budismo, hinduísmo, zoroastrismo, xintoísmo, jainismo, confucionismo, taoísmo, mitraísmo, que traziam muito dos ensinamentos de Melquisedeque, o sábio de Salém, que cerca de dois mil anos antes precedera o mestre nazareno em profundos ensinamentos. Jesus foi o maior dos teólogos porque buscou conhecer o substrato de todas as doutrinas. Frequentou a biblioteca de Alexandria, que guardava em um milhão de manuscritos sobre toda a história, todas as artes e toda a sabedoria. Tudo isso antes dos seus 30 anos.
Suas viagens pelo mundo desenvolvido de então robusteceram seus conhecimentos e experimentos terrenos e o transformaram num homem intelectual, além do mestre divinal que já era. Jesus pregava nos lugares públicos e nas sinagogas e discutia com propriedade temas de religião, ciência, sociologia, filosofia e questões sociais e também comerciais. Era um ser divino vivenciando as coisas deste mundo, que ensinava e ao mesmo tempo aprendia. Sua sabedoria encantava a todos, mas incomodava os radicais do Sinédrio.
Jesus não deixaria de visitar a Itália e especialmente Roma, que tinha dois milhões de habitantes e era a maior e mais influente capital do mundo, embora pouco espiritualizada. Ali permaneceu meio ano. O notável nazareno era também um hábil político, mas nunca um enganador. O imperador Tibério impressionou-se com ele, depois de encontro que tiveram. Jesus proclamava que o valor da vida estava no contínuo progresso espiritual, moral e material, sem tirar de foco a presença do Pai universal e sua suprema vontade.

WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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