ESPAÇO ABERTO
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quinta-feira, 11 de abril de 2013
Flávio Montenegro Balan 
No mês passado perdemos dois amigos Josés. O professor José Monir Nasser nos deixou no dia 16 de março, com apenas 56 anos. Economista, consultor, escritor e profundo conhecedor da cultura ocidental, Monir era um modelo para todos nós que lutamos pelo desenvolvimento. Ele dizia: "Uma sociedade não pode ser rica antes de ser inteligente. Não pode existir uma economia realmente sólida e desenvolvida sem que haja uma elite cultural voltada para os bens espirituais, capaz de guiar, julgar e interpretar os esforços da comunidade".
Autor do livro "A Economia do mais", Monir foi sempre um defensor da verdadeira educação. Ele sempre alertava que não se deve confundir educação com ensino. Educação é a arte de despertar os mais nobres valores espirituais do ser humano. Ensino é uma estratégia para obtenção de diplomas, títulos e certificados profissionais. Educação se refere ao aprimoramento da alma. Ensino funciona como um mecanismo de reconhecimento social. Educação diz respeito à essência. Ensino se liga à aparência. Educação é conhecimento. Ensino pode ser um mero pedaço de papel. Educação, para o mestre Monir, envolvia acima de tudo os valores éticos cultivados pela civilização. "Só acidentalmente o ensino pode ser educação", dizia Monir.
O empresário londrinense José Luiz de Souza partiu tragicamente no dia 28 de março, em plena Quinta-Feira Santa. Foi baleado durante um assalto a sua empresa. Tinha apenas 53 anos. O crime comoveu e revoltou toda a cidade, não apenas pelo desfecho cruel, mas pela frieza com que a ação foi planejada. Entre os acusados de envolvimento com o crime, está uma jovem de 16 anos que trabalhava como funcionária na empresa de José Luiz. Outros dois acusados são menores de idade, entre eles o autor dos disparos que vitimaram o empresário.
O mais revoltante é saber que os envolvidos com o crime logo estarão em liberdade. A Justiça, tão morosa em outras ocasiões, age rapidamente para libertar os jovens que cometem crimes. Alguma coisa está errada ou com a lei, ou com a Justiça, ou com o discernimento das autoridades... No latrocínio que ceifou a vida de José Luiz, perdemos um colega, um amigo, um pai de família. Nossa formação cristã impede-nos de alimentar sentimentos de vingança, mas isso não quer dizer que vamos compactuar com a impunidade. E é exatamente isso que está acontecendo hoje: a impunidade! Jovens envolvidos com a morte de um ser humano ganham a liberdade quando os amigos e familiares da vítima ainda estão enxugando as lágrimas da perda.
É óbvio que precisamos unir esforços para atender a famílias desestruturadas e carências sociais que acabam lançando jovens no mundo da criminalidade. Não podemos confundir pobreza ou mesmo miséria com criminalidade: seria uma grande injustiça com a imensa maioria de pobres e miseráveis que levam a vida com honestidade. Mesmo assim, é preciso reconhecer que uma ação direta com as famílias em situação de risco ajudaria a diminuir o problema da criminalidade na juventude. Esses jovens precisam de educação a verdadeira educação que o professor Monir sempre defendeu.
Porém, a existência de problemas sociais não pode se transformar em desculpa para a impunidade de criminosos com menos de 18 anos. Os jovens que assaltaram José Luiz de Souza tinham plena consciência do mal que estavam cometendo. A sociedade clama por mudanças na legislação a fim de que a minoridade penal deixe de ser um escudo que protege criminosos e impede a justa punição dos malfeitos. É preciso mudar a lei agora! Até quando vamos continuar enterrando os mortos e chorando por nossos Josés?
FLÁVIO MONTENEGRO BALAN é presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil)
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