ESPAÇO ABERTO
Maioridade penal
Aldo Pedalino
Tanto se fala a respeito da maioridade penal, que se o adolescente pode votar, também pode se responsabilizar sobre seus atos, que este país é uma vergonha etc. A primeira reação que temos quando vemos uma notícia de adolescentes roubando, matando, assaltando é de nos indignar e querer justiça. Até mesmo se possível com as próprias mãos. Portanto, é de consenso de uma parte da população que devemos responsabilizá-los punindo-os como se fossem adultos.
Mas, ao mesmo tempo, não vejo compaixão, muito menos preocupação da população em geral em relação aos adolescentes em situação de risco, envolvido com drogas. Não estou falando em dar esmola ao pobre, e sim em transformação desses meninos. Mesmo porque o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) diz que: "É dever do Estado da família e da sociedade, dar garantia de vida, esporte, lazer, educação à criança e ao adolescente".
É muita hipocrisia fingir que o problema não existe. Nossos adolescentes estão sendo dizimados, e diminuir a maioridade para 16 anos vai fazer com que os traficantes usem crianças maios novas para o seu intuito ilícito. A falha está desde o início quando essa criança está na barriga da mãe. Depois na creche, depois no ensino fundamental e médio. A falha está nas igrejas que deveriam cumprir ações mais concretas contra a exclusão social, e também está na sociedade que acha que já paga os seus impostos e está fazendo a sua parte. E, por fim, da família desestruturada por todos esses elementos elencados acima.
E o que nós cidadãos estamos fazendo?
Você que está lendo este artigo, arregace as mangas, saia da sua zona de conforto e faça a diferença: se junte a nós no fortalecimento da criança e do adolescente e ajude Londrina a sair dessa situação grave de drogas, tráfico, etc.
Uma sugestão aos legisladores: ao invés de diminuir a maioridade penal, vamos triplicar a pena e sem direito a fiança ao adulto que estiver envolvido com alguma criança e ou adolescente em crimes , drogas e assaltos.
ALDO PEDALINO é diretor da Associação Mãos Estendidas de Londrina
O bem em ti para vencer o mal nele
Walmor Macarini
As palavras contidas no título acima são de Jesus, por volta dos seus 29 anos, ao responder a um jovem grego que se queixava da maldade do capataz a que era subordinado. Disse-lhe: "Talvez Deus haja colocado esse homem perto de ti para que o conduzas a um caminho melhor; talvez tu sejas aquele que o tornará mais agradável, isto se não houveres perdido o teu sabor". Este é um sábio ensinamento e cabe a tantos casos do gênero no nosso dia a dia.
Existem homens de má índole, o que pode ser uma herança cármica ou um mal adquirido, mas não há um ser humano que não se sensibilize ante um ato de delicadeza para com ele, uma palavra amiga, um afago ou um gesto de reconhecimento. Pode não acontecer numa primeira vez, mas em dado momento acontecerá. Se cada qual carrega dentro de si a chama que lhe clareia a alma, será necessário apenas robustecê-la. Ego e essência - esta a luz divina de que somos portadores - estão constantemente em luta, e muito frequentemente o primeiro vence. Temos ciência desse embate quando somos tentados a fazer algo não qualificado e uma voz de dentro reprova. Eis a luta. A voz repressora é a nossa consciência, e o ego nosso eu irresponsável.
Os homens que se revelam maus são um desafio para testar nossa paciência e nossa capacidade de compreender e perdoar. Não podemos ser condescendentes com o mal e a prepotência, mas nossa autoridade se revela muitas vezes no ato de silenciar. Cada qual carrega o luzeiro da sabedoria, que resplandece mais em uns e menos em outros. Deus é a bateria que o sustenta, mas somos nós que a recarregamos ou deixamos que vá perdendo força. Se estamos iluminados, essa luminescência se propaga ao nosso redor e envolve também os circunstantes. "O bem em ti pode vencer o mal nele", ou Jesus não o teria dito.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina
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