Se estivesse vivo, d. Geraldo Fernandes teria completado 100 anos no dia 1º de fevereiro. Como normalmente ocorre em datas significativas relacionadas ao primeiro bispo e, depois, arcebispo de Londrina, muitos católicos se lembram dele e tem ido homenageá-lo na Catedral, onde ele se encontra sepultado ao lado do altar-mor. Ontem, no dia de São José, uma missa foi celebrada na Catedral, em lembrança aos 31 anos de sua morte e também ao seu centenário de nascimento. Padres de igrejas da Arquidiocese de Londrina e de cidades da região rezaram missas pela alma do inesquecível arcebispo.
Mineiro de Contagem, nascido em 1913, d. Geraldo chegou a Londrina em fevereiro de 1957 e aqui faleceu em 29 de março de 1982. Participou ativamente da vida da cidade. Apoiou inteiramente a criação das primeiras faculdades de Londrina, como de Filosofia, Direito e Odontologia. Foi o primeiro professor de Direito Romano e era muito respeitado e querido pelos alunos. Cedeu, inclusive, ao curso de Odontologia, as instalações dos fundos da Catedral, que serviram como salas de aula. Esta faculdade tornou-se uma das melhores do País. O estimado religioso foi também um baluarte da criação da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e participou da fundação do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar).
Em março de 1958, d. Geraldo Fernandes fundou a matriz do Instituto das Irmãs Missionárias de Santo Antônio Maria Claret, que permanece em Londrina. Uma instituição com grande trabalho social em vários países, como Filipinas, Índia e Indonésia (Ásia); Austrália (Oceania); Costa do Marfim, Gabão, Togo, e Moçambique (África); Portugal, França, Itália, Suíça, Alemanha e Polônia (Europa); Chile, Argentina, Paraguai e Brasil (América do Sul).
Madre Leonia Milito, que muitos londrinenses conheceram pessoalmente ou conhecem pelo menos o seu nome, e que está em processo de beatificação podendo se tornar santa, foi o "braço direito" de d. Geraldo no início deste trabalho. O arcebispo também incentivou a criação da Associação das Damas de Caridade, entidade filantrópica bastante ativa na comunidade londrinense.
Quando Londrina se tornou a primeira cidade do interior do País a ter uma emissora de TV, a Coroados, inaugurada em 1963, lá estava d. Geraldo a apoiá-la, inclusive atuando na emissora com um comentário religioso aos sábados: "A Fala do Pastor".
Jamais se teve notícia de que abusou de sua posição de bispo de Londrina e região, para quaisquer vantagens pessoais. Pelo contrário, nunca negou apoio a quem o procurasse.
Hoje o arcebispo é nome de avenida em Londrina, um reconhecimento justo pela sua atuação em prol dos humildes e pobres. Seu túmulo recebe flores todas as semanas. São pessoas gratas por tudo o que d. Geraldo Fernandes ofereceu à comunidade. Dele, portanto, só temos gratas recordações. Um bom exemplo de sua grandeza, bondade e desprendimento esta num trecho do Testemunho Espiritual, que escreveu em 25 de novembro de 1978, quando tinha 66 anos, cerca de três anos antes de sua morte:
"Se Deus, na sua infinita misericórdia, me der vida e saúde por mais tempo espero poder ir trabalhar na África, no começo do ano próximo como missionário. Penso até em ser coadjutor do padre claretiano que reside solitário na Ilha do Príncipe, em São Tomé. Espero, para isso, só a última palavra dos meus Superiores. Eu acredito que este mundo pode ser e ainda será muito feliz. Isso só depende de nós!".

JOSÉ ROBERTO VEZOZZO é empresário em Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res (55 linhas) e no mí­ni­mo 1.600 ca­rac­te­res (25 li­nhas). Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

mockup