Custo de produção de alimentos
Narciso Pissinati

Os meios de comunicação estão divulgando uma safra recorde da produção agrícola no Paraná indicada pelos órgãos de acompanhamentos estatísticos. A "supersafra" vem destacando a grande produção agrícola de verão como a soja e o milho. Também é notícia corrente que a rentabilidade será a maior dos últimos tempos, puxada pelos bons preços das commodities internacionais. Tenho minhas dúvidas. Por quê?
Se analisarmos com mais detalhe, veremos que muitos dos custos levantados no início da safra já sofreram grandes alterações e as surpresas para quem não antecipou (mais de 70% dos produtores) poderão ocorrer no fechamento da venda, o mais tardar, no final de abril.
Minha versão é um pouco diferente da oficial. Sempre que ocorre esse otimismo, o preço dos insumos, dos equipamentos e das máquinas sobrem na esteira da euforia e quem paga é o produtor.
Pelo levantamento feito, no mês de novembro de 2012, pela Esalq/Cepea/CNA e produtores, aqui no Sindicato Rural, para nossa surpresa, os custos de produção do Paraná, quando comparados aos da região do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, tiveram os maiores reajustes.
Além desses custos corrente citados, estão os que influenciam indiretamente nos custos, como o aumento dos combustíveis, armazenamento deficitário, estradas mal conservadas, limitação de cargas, portos ocasionando filas para o descarregamento dos produtos, pedágios com valores absurdos e com pouquíssimos investimentos na manutenção e conservação. Sem contar a depreciação de equipamentos, do patrimônio, o risco do negócio, a gestão do capital, dinheiro próprio ou de terceiros etc.
Por isso, a sociedade tem que entender que o produtor tem uma vocação cívica de produzir alimentos, espírito público, correndo riscos para alimentar pessoas. Poderia ele adquirir imóveis, ter renda de aluguel, aplicar em outros bens com garantia certa de renda. No entanto, investe grande quantia de recursos, preferindo exercitar a função social a terra.
É o retrato da vida do produtor. Suas incertezas e suas dificuldades.

NARCISO PISSINATI é presidente do Sindicato Rural Patronal de Londrina


Amar não apenas os íntimos
Walmor Macarini

O amor de que tanto se fala não é amar apenas os íntimos - que são os familiares e as pessoas do nosso estreito convívio - mas amar a todos indistintamente. Amar é também orar pelos que caíram nas trevas da delinquência. Não é fácil e quase impossível ter por eles a afeição que temos pelos bons e pelos nossos mais queridos, mas ao menos podemos nos esforçar por não alimentar sentimentos de ódio contra esses desajustados sociais. Porque o ódio nos corrói e dissemina uma nefasta corrente vibratória, robustecendo o clima de violência.
A prece tem poder e faríamos bem em orar por eles para que encontrem a luz e se recuperem. As igrejas deveriam fazer isso frequentemente, porque a oração em grupo é muito mais poderosa, e ao mesmo tempo estariam induzindo os fiéis ao exercício da humildade e a compreenderem a importância dessa causa. Será um louvável gesto de fraternidade e os céus se rejubilarão com isso.
Ser cristão genuíno não é cumprir as denominadas obrigações eclesiais mas exercer o tão apregoado amor e não desejar punições carregadas de revolta e com sabor de vingança social; é também abandonar o orgulho egoísta, a inveja, a maledicência, e exercer a caridade, que se traduz pela benevolência, pela compaixão e pela solidariedade. O Reino é para aqueles que têm o coração puro, dócil e caridoso.
Comparecer aos ofícios religiosos como um rotineiro dever não nos fará melhores se continuarmos com nossas iniquidades e indiferentes aos coirmãos, sejam eles bons ou nem tanto. Amar é olhar com responsabilidade a tudo o que ocorre ao nosso redor. Não podemos ser apenas individualistas mas operar também com o olhar voltado para o progresso material, moral e espiritual de toda a humanidade. Não estaremos amando a Deus se não amarmos os nossos semelhantes. Está escrito que antes de colocarmos nossa oferenda no altar devemos nos reconciliar com aqueles que temos ofendido, e reparar os erros que cometemos contra nossos iguais terrenos. Só então a oferenda será agradável a Deus.
WALMOR MACARINI É jornalista em Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res (55 linhas) e no mí­ni­mo 1.600 ca­rac­te­res (25 li­nhas). Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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