ESPAÇO ABERTO
A armadilha do ciúme
Confundir o ciúme como manifestação de amor é um grande erro. O ciúme tem a ver com a possessividade, com o controle e nada com o verdadeiro amor que exclui a ilusão da posse do outro. Há em muitos relacionamentos a presença de um ciúme que transforma a vida das pessoas envolvidas num inferno, trazendo dor e até violência. Que o ciúme é algo inerente a nossa natureza está claro. O ciúme pode ser visto até mesmo em animais que, às vezes, impede que outros animais ou até pessoas cheguem perto de seus donos. O problema é quando o ciúme passa do limite e chega a ser algo que impede o bom conviver. Aliás, qualquer emoção quando descontrolada sempre causa angústia e empobrecimento para a vida. O ciúme que me refiro aqui trata-se daquele que já esta fora de controle.
Muitas pessoas confundem amor com posse e acham que podem controlar aqueles com os quais se sentem ligados. As populares frases como "Mulher para mim é na rédea curta" ou" No meu marido eu que mando" são exemplos de como é tênue a linha que separa o amor da ilusão do controle. Querer controlar o outro não é amor, mas um ato de violência. É egoísmo e prepotência simplesmente. O ciumento é alguém que possui uma baixa autoestima, tem muito medo de ser abandonado e rejeitado. Quando então está num relacionamento, o ciumento sente que precisa controlar a pessoa com quem está e acredita que assim estará se protegendo de um futuro abandono. Só que ao agir assim, o ciumento começa a minar o relacionamento com desconfianças e acusações e isso pode gerar vários problemas para o casal.
Os crimes passionais são os ciúmes levado à loucura. Matar alguém e dizer que foi em nome do amor é pura bobagem. O amor conclama à vida e não à morte, mas o ciumento está tão enlouquecido na sua ilusão de controle que acha que tem o direito até de tirar a vida de alguém e ainda falar em amor. O ciumento é um doente e precisa se tratar para melhorar a autoestima e se desapegar do controle, permitindo espaço e liberdade para o relacionamento.
SYLVIO DO AMARAL SCHREINER é psicólogo clínico em Londrina
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Por igrejas mais espirituais
Induzir os fiéis à busca do caminho da espiritualidade deve ser a função primordial dos líderes religiosos. Exercê-la é uma relevante jornada missionária, lenta e pacienciosa, que não pode ser abrupta ,mas gradativa, de acordo com o grau evolutivo das comunidades eclesiais. Porque, nesse campo do transcendente, a natureza da compreensão humana não permite saltos. Condutor e conduzidos precisam caminhar juntos, sem atropelos, pois o entendimento da relação com o divino e com todo o conjunto cósmico é ainda enigmático e terá de se expandir de forma gradual.
É oportuno falar da eleição do novo papa, um processo que envolve não apenas 117 cardeais, mas as autoridades celestiais que têm missões com a comunidade terrena, pois operam diretamente no plano de evolução dos coirmãos terrenos. E estes não são apenas nós, mas também os que povoam a crosta terrestre circundante. Eles interagem conosco e são dependentes de tudo o que acontece neste rincão tridimensional, eis que - em outra dimensão de matéria - são também seres humanos evolucionários.
A legião de cristãos - formada por católicos, evangélicos, espíritas e algumas outras correntes - reúne mais de 30% dos religiosos do mundo. Este universo de fiéis compõe um grandioso cenário de ascensão espiritual, e sua importância transcende a esfera das representações eclesiais e ganha magnitude extraterrena. Porque uma numerosa comunidade de evoluídos seres das elevadas dimensões acompanha nossos passos. Eis que a Terra não é um mundo isolado, mas está inserida numa vasta jurisdição do macrocosmo.
O próximo e os futuros sucessores do papa certamente se ocuparão bastante das questões sociais e dos problemas do próprio organismo da Igreja ainda não resolvidos - políticos, morais e doutrinários -, mas precisarão devotar-se fundamentalmente ao ministério de elevar a espiritualidade latente dos fiéis, para que estes não fiquem apenas no cumprimento das obrigações eclesiais. Porque, pelo crescimento espiritual, se chegará à solução dos problemas terrenos.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





