ESPAÇO ABERTO
Londrina precisa de servidores qualificados
O prefeito Alexandre Kireeff enviará à Câmara de Vereadores projeto de lei que autoriza a pagar salários acima do teto municipal aos servidores que comporão sua equipe de governo. Embora à primeira vista seja passível a ideia de que a medida anda na contramão das necessidades da cidade, faz-se necessária uma reflexão mais profunda e ampla da questão. O projeto de lei permitirá a vinda de servidores estaduais e federais que muito contribuirão para o desenvolvimento de Londrina.
Tal projeto trará aumento de custos aos cofres públicos, sim. Entretanto, basear-se somente nesta afirmação para desmerecer a proposta indica despreparo e superficialidade. Afinal, os servidores trazidos a Londrina
são capacitados para seus cargos, fato que pode ser confirmado pela leitura de seus currículos. Situação semelhante ocorreu quando da criação do Instituto de Aeronáutica (ITA). Na década de 1950, no Brasil só existiam engenheiros civis e o instituto pretendia criar cursos de Engenharia Aeronáutica, da Computação e Elétrica, porém, o país não contava com especialistas nestas áreas. A solução seria a vinda de professores estrangeiros. Todavia, os salários oferecidos não atraíam os acadêmicos das melhores universidades do mundo. Deste modo, os líderes da época implementaram uma nova política salarial com remuneração em dólar para professores estrangeiros, medida que sofreu todo tipo de preconceito por ser mais onerosa aos cofres públicos. Contudo, o ITA estabeleceu-se como centro de excelência e embrião de uma das maiores indústrias nacionais, a Embraer.
De igual modo podemos transformar Londrina em uma ilha de excelência administrativa, por esta razão é dever da sociedade civil organizada repensar o que a cidade precisa para proporcionar melhorias na vida dos cidadãos de forma palpável e verdadeira. Estamos no caminho certo, porém, construir e pôr em prática políticas públicas pareadas ao desenvolvimento é tarefa coletiva que exige dedicação aliada ao conhecimento.
GUILHERME CASADO GOBETTI DE SOUZA É advogado em Londrina.
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Diminuir desmatamento não é vitória
O governo, em pronunciamento recente, considerou como vitória o fato de o desmatamento da Amazônia haver diminuído, embora continue a marcha devastadora. Ora, não há mérito nisso, porque o que foi tombado não volta. Algumas vezes temos lido - e sempre partindo de fonte oficial a informação de que "houve queda nas derrubadas", embora nada diga quando há aumento. Mas se o desmate não cessa, o resultado final será a destruição total. Não faz diferença pôr abaixo a floresta em ritmo acelerado ou lento. Será apenas a prorrogação da agonia final do arvoredo. Porque se estará sempre cortando.
Pelo entusiasmo governamental com as diminuições cíclicas, as instituições oficiais contabilizam as quedas de desmatamento como algo bom. Até que não haja mais nenhuma árvore em pé. Só haverá realmente
razão para comemorar quando não se desmatar mais nada e houver garantia de que a floresta está intocada. O argumento de que se necessita de terra para cultivar alimentos e semear pastagens para a pecuária não
tem consistência, porque temos ainda muito território fértil por explorar, sem a necessidade de sacrificar nossas matas e toda a biodiversidade nelas existente, aí incluídas as espécies animais.
Deve-se contemplar apenas as populações que habitam regiões da floresta e necessitam das culturas de subsistência. Porque estas não são predadoras. São as explorações e o extrativismo extensivos que preocupam e precisam ser contidos, e isto deve ser feito inclusive pelo uso da força. É risível a vanglória da ministra Isabela Teixeira ao anunciar como algo meritório uma diminuição do desmatamento. Ela disse que agora (o último levantamento) só foram derrubados 4,5 mil quilômetros quadrados anuais de mata, porque antes eram 6,4 mil. No ano seguinte serão desmatados outros 4,6, e assim sucessivamente. A ministra diz que a meta até 2020
(isto é meta?!) é chegar a 4 mil quilômetros quadrados anuais de desmatamento. Assim, de 4 em 4, a devastação irá avançando até deixar a Amazônia inteiramente pelada.
WALMOR MACARINI É jornalista em Londrina.





