ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
domingo, 10 de fevereiro de 2013
Flávio Montenegro Balan 
Acabo de fazer 40 anos e tenho recebido lições de otimismo de uma mulher de 80. Dizem que a vida começa aos 40, mas a professora Walkyria Ferraz recomeça a viver todos os dias com muita fé, alegria e trabalho. Numa de nossas conversas, dona Walkyria me apresentou a um personagem importante: o otimista de ânimo resistente.
E quem é ele? O termo foi criado pelo escritor americano Norman Vincent Peale (1898-1993), autor do best-seller mundial "O Poder do Pensamento Positivo". Durante seus 95 anos, Peale defendeu a necessidade de unir duas virtudes humanas fundamentais o otimismo e a resistência para que as pessoas conquistem avanços e superem obstáculos na vida.
Otimista não é sinônimo de tolo, deslumbrado ou ingênuo. Antes de tudo, é a pessoa que enxerga oportunidades nas crises, e não crises nas oportunidades. O verdadeiro otimista exercita a lucidez e o realismo, combinando-os com a esperança.
Resistente não é sinônimo de rígido, intransigente ou cabeça-dura. Pelo contrário, trata-se do indivíduo que sabe se moldar às situações. Flexível, mas não quebradiço. Firme, mas aberto ao diálogo. Assertivo, mas capaz de ouvir os outros. A sabedoria do caipira diria que ele "verga, mas não quebra".
O otimista de ânimo resistente aceita críticas e elogios. Mas prefere críticas que o fortaleçam a elogios que o enganem. Se o covarde nunca tenta e o fracassado nunca termina, o otimista de ânimo resistente nunca desiste. E por isso vence. Fernando Sabino escreveu: "No fim tudo dá certo... Se não deu certo, é porque não chegou ao fim". Será que o escritor brasileiro andou conversando com seu colega Norman Vincent Peale?
Daí fiquei pensando... E concluí que eu conheço esse tal de "otimista de ânimo resistente". Todos os dias eu o encontro nas ruas, nas empresas, na igreja, na Acil. Ele fala português, ama a família, torce para o Tubarão, trabalha muito e faz churrasco no final de semana. Teve suas desilusões com a política, mas não perde a esperança de tempos melhores. Há otimistas de ânimo resistente de todas as idades, classes sociais, ofícios, etnias, religiões. São homens e mulheres, crianças e adultos, jovens e idosos, pobres e ricos. Seus antepassados vieram de várias partes do mundo para se encontrarem aqui no Norte do Paraná.
Dona Walkyria, eu descobri que o cidadão de Londrina é o típico otimista de ânimo resistente! Mesmo diante das adversidades, ele não perde a fé. Tem o poder de resistir ao mal e avançar mesmo quando tudo diz não. Acredita na vida, ainda que as circunstâncias sejam desfavoráveis. Até mesmo depois de uma geada que destrói todos os cafezais...
Não se constrói uma cidade como Londrina sem líderes e os verdadeiros líderes são todos otimistas de ânimo resistente. Assim eram nossos pioneiros, assim nós precisamos ser. Outro dia eu estava observando a linha do tempo que temos aqui na Acil e encontrei o otimista de Norman Vincent Peale em cada trabalho, em cada conquista, em cada luta, em cada campanha, em cada projeto. O otimista pensa no "nós" antes de pensar no "eu". Ele é o cara que não se importa em doar seu tempo, seu trabalho e até um pouco da sua saúde para o bem da comunidade. Se for preciso, ele briga. Se for pela cidade, ele trabalha à noite, aos domingos, aos feriados. Quer ganhar dinheiro? Sim, qual é o problema em colher os frutos de seu esforço e honestidade? Mas ele não se deixa escravizar pelo mero resultado financeiro. Acima de tudo, o otimista quer fazer bem e fazer o bem.
No Museu Histórico de Londrina, há uma reprodução do primeiro armazém aberto por David Dequêch, fundador e primeiro líder da Acil. Ali há um pedaço de tronco que o sr. Dequêch descobriu intacto quando foi desmontar uma antiga casa de madeira. Aquele tronco simboliza a fé e a esperança dos londrinenses. É o nosso otimismo, dona Walkyria. Ele vive no dia mais importante que existe: hoje.
FLÁVIO MONTENEGRO BALAN
é presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil)
■ Os artigos devem conter dados do autor e ter no máximo 3.800 caracteres (55 linhas) e no mínimo 1.600 caracteres (25 linhas).
Os artigos publicados não refletem necessariamente a opinião do jornal. E-mail: opiniao@folhadelondrina.com.br


