ESPAÇO ABERTO
Condição da mente do analista
O dentista conta com um grande número de apetrechos para bem realizar o seu trabalho. O médico também tem inúmeros instrumentos para diagnosticar e restabelecer a saúde de um paciente. E qual é o instrumento de trabalho do analista? A resposta é a sua própria mente. O analista depende de ter uma boa condição de mente para poder realizar seu trabalho. Desenvolver a mente é, para o analista, algo vital para que possa entender a mente das pessoas com quem trabalha. O analista encontra dentro de si recursos que o possibilita pensar em como melhor ajudar o seu paciente. Ele só vai poder entender a mente de outro caso consiga entender a sua própria.
Sem uma boa condição mental o analista ficaria perdido entre as fantasias e angústias que o paciente traz. Não conseguiria pensar e não poderia ajudar seu paciente a pensar sobre a própria vida. Seria como um cego conduzindo outro cego. Se o analista não tem meios de aceitar e compreender o funcionamento da sua mente fica impossível aceitar e compreender a mente de quem pede sua ajuda e com mais uma agravante: se o analista estiver perdido não consegue se colocar disponível para escutar verdadeiramente o que seu paciente tem a dizer. A escuta verdadeira é a condição para uma análise de fato ocorrer. Caso o analista esteja imobilizado pelas próprias fantasias, não poderá clarear sua mente para receber o que vem do seu paciente. Ficaria encerrado nas brumas de suas fantasias e angústias e nem suportaria as inquietações de outrem.
O único instrumento e recurso para quem trabalha com a psicanálise é a própria mente. Daí que se tem a recomendação do analista se submeter à própria análise, pois sem desenvolver sua mente ele se torna incapacitado para se despir de suas fantasias e preconceitos, bem como de seus próprios medos, para poder escutar e apontar determinadas coisas que fariam seu paciente pensar e mudar suas perspectivas. Só quando o analista pode mudar a si mesmo, é que pode ajudar alguém a passar por esse mesmo processo.
SYLVIO DO AMARAL SCHREINER É psicoterapeuta em Londrina
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Nossa realidade é o que não vemos
Temos acreditado que somos um corpo físico encerrando uma alma, mas na verdade somos primordialmente uma alma envolvendo e presidindo nossa vestimenta carnal. A alma está conectada ao Grande Espírito, que é a suprema fonte sustentadora da vida - entenda-se Deus. Em nossa condição corporal vivemos um período de ilusão quanto à nossa realidade, porque o verdadeiro é o que não vemos, e aquilo que vemos quando nos miramos ao espelho é o irreal. Porque este não se sustentará, eis que perece pelo desenlace carnal, enquanto nossa essência vivifica, pela chama divina pulsante em nós.
Ao nos pensarmos seres insignificantes nos ocultamos da verdade e negamos nossa filiação ao Pai Celestial. Assim vivemos em clima de dúvida, que é amiga próxima de todas as formas de incerteza e medo. Não é pequeno o que emana da mente do Criador. Sistemas de crenças têm aprisionado seus fiéis a ideias de pequenez, porque, pela doutrinação, vão-lhes tolhendo a liberdade da busca fora de suas próprias fontes eclesiais. Com isto sufocam-lhes também a condição de igualdade de direito de buscar caminhos de evolução.
Por conta dessas coisas que lhe foram incutidas ao longo dos séculos o homem viveu confuso, e ainda mais porque lhe falam de "ira de Deus" e que é preciso temê-lo. Nem todas as verdades e revelações estão contidas no texto bíblico e nem tudo o que está ali escrito é tal qual se interpreta. Assim o homem chegou ao terceiro milênio sem haver encontrado resposta a muitos dos seus questionamentos.
O papa João Paulo 2º foi corajoso ao romper barreiras seculares e proclamar a verdade de que "o céu não é um ponto entre as nuvens mas um estado de comunhão com Deus"; que "céu e inferno não são lugares físicos mas estados de alma"; e que imagens citadas no Apocalipse, como as do "fogo ardente do inferno, devem ser entendidas retamente". Que esse pronunciamento repouse na mente dos fieis, para reflexão.
WALMOR MACARINI É jornalista em Londrina
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