MEC, Enem e a Copa do Mundo
Mais uma vez o MEC deu ‘’show’’ de falta de planejamento, de conhecimento de causa, de insipiência e incipiência. As tentativas de acesso para saber as tão esperadas notas do Enem e agora do Sisu, mais uma vez, foram em geral frustradas. A maioria dos participantes tentou, por horas, infrutiferamente ter acesso ao resultado das competências e da nota da redação.
As tão anunciadas e já esperadas tentativas vãs, já conhecidas por quem acompanha seus eventos anuais, a troca de ministros da Educação com suas promessas e discursos pomposos, em sua maioria, apenas ‘’palavras jogadas ao vento’’ dotadas de ranço político e infundadas tecnicamente. Esse é o país da copa, das ‘’arenas’’, dos aeroportos, dos apagões por ‘’erros humanos’’ (como afirmou recentemente, por ‘’infelicidade’’, a presidente Dilma Rousseff).
Até quando? Com relativa preocupação começo a antever o que será deste nosso querido e amado país por ocasião da Copa do Mundo. Refiro-me aos serviços básicos, da distribuição de energia, de definição logístico-digital que são ‘’dever de casa’’ do governo. Haverá um previsto aumento exponencial no fluxo de turistas amantes do esporte, em alguns casos famílias inteiras, todos ávidos por acompanhar esse evento e, paralelamente, com vontade de conhecer o nosso lindo país. O que encontrarão? Que qualidade de serviços lhes será ofertada?

Preocupa-me, sobretudo a cultura do ‘’levar vantagem’’ tão disseminada e arraigada em ‘’espertalhões’’ espalhados por aí, o preço dos serviços superfaturados (como já está ocorrendo em reservas para o referido evento), o número e a qualidade dos quartos de hotéis propagandeados versus o que será ofertado, o número de leitos de hospitais, os meios de transporte, o acesso digital, e por aí vai. Até quando seremos o país da improvisação, do fazer a toque de caixa, no grito, em alguns casos saltando aos olhos, em prevista dissonância dissimulada com as normas e procedimentos vigentes?
JÚLIO ALVES MARQUES é professor em Londrina.

E agora para onde vou?
Tenho observado a reconstrução de calçadas no centro de Londrina, provavelmente, para refazê-las ou mesmo para demarcar a sinalização aos deficientes visuais. Por que essa sinalização para os deficientes visuais é vermelha se eles não enxergam? Essa sinalização é para nós que temos a felicidade de enxergar. Será que necessitamos dessa sinalização para conceder a passagem ao deficiente visual?
Em algumas calçadas essa sinalização existe num trecho e em outro não, sem a devida continuidade. Os deficientes devem se perder. O princípio do comportamento de trânsito dos pedestres é o mesmo do dos veículos, ou seja, mantenha a sua direita e ultrapasse a sua esquerda. Interessante, o deficiente visual vai, porém ao voltar, se encontrará na contramão dos demais transeuntes. Não quero criar polêmicas, porém, quero entender o que pensam as autoridades de trânsito quando criam novas sinalizações, regulamentadas ou não.
Recentemente, escrevi sobre o "Proibido parar e estacionar", ilustrando as faixas amarelas contínuas em algumas vias públicas, sinalização que permitida a alguns veículos. Agora – pasmem! -, próximo ao Iate Clube, no sentido centro, ao lado do meio-fio, temos duas faixas contínuas vermelhas com indicação para "uso exclusivo de ciclistas" que, na contramão de direção dos demais veículos, devem transitar até o local destinado para caminhadas do Lago Igapó 2 ou para outros locais. E sobre a calçada do mesmo local, na mão direita, encontramos mais duas faixas contínuas vermelhas indicando que o ciclista deverá circular, junto aos pedestres.
Trata-se de uma construção de uma "ciclovia" ou "ciclofaixa" em caráter experimental? Bem se assim for, para que os usuários deste trecho não sejam pegos de surpresa, é recomendável uma eficiente campanha educativa para que não sejam autuados indevidamente. Vale a pena dizer que não façam desses ciclistas, um deficiente visual, onde aqui pode, ali não, ou talvez, o que faço agora.

JULIETA ARSÊNIO é psicóloga especialista em comportamento de trânsito em Londrina.

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res (55 linhas) e no mí­ni­mo 1.600 ca­rac­te­res (25 li­nhas). Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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