O Brasil ainda tem uma lição de casa muito importante para fazer, talvez a mais urgente delas para o futuro da Nação: melhorar a educação de nossas crianças e nossos jovens. Nesse momento em que as faculdades e universidades de todo o País divulgam resultados dos vestibulares, uma pequena parcela de estudantes e seus familiares comemoram a aprovação e a grande maioria amarga a frustração de não ter conquistado o acesso ao ensino superior.
Dados oficiais do Ministério da Educação mostram que em 2010 o Brasil tinha apenas 14,4% de jovens entre 18 e 24 anos matriculados em cursos superiores. A meta do Plano Nacional de Educação era chegar aos 30% e o País não atingiu nem a metade do índice projetado. Se tivesse feito a tarefa corretamente, o Brasil ainda estaria em condições desfavoráveis. No México e Chile de 30% a 40% dos jovens estão no ensino superior e na União Europeia são 70%. E vejam qual é o novo desafio brasileiro: chegar aos 33% em 2020!
Em meio à festa e ao desalento, é necessário refletir e agir diante da triste realidade. O acesso à universidade representa um passo a mais na caminhada de formação educacional, que começa nos bancos escolares da educação infantil e não tem limite para acabar. São privilegiados os jovens brasileiros que conseguem chegar aos cursos superiores porque uma enorme parcela nem completa o ensino médio. Só a partir de 2016 será obrigatória a conclusão dessa etapa escolar. Ou seja: o Brasil ainda engatinha e tem muito a evoluir para alcançar as nações mais desenvolvidas.
Programas de inclusão no ensino superior são primordiais para ampliar a presença dos jovens nas universidades. É fato que nos últimos 20 anos houve flexibilização da legislação com a consequente ampliação de oferta de vagas no ensino superior, principalmente porque permitiu-se maior participação da iniciativa privada no setor. Atualmente 76% dos universitários brasileiros estão em instituições particulares e apenas 24% nas universidades públicas. Um avanço tímido.
Investir pesado e de forma estratégica na educação básica e na preparação das crianças e da juventude é o que vai garantir o desenvolvimento social e econômico da Nação. Já está provado e há o exemplo da Coréia do Sul com a revolução educacional, tecnológica e econômica daquele país. Obviamente no Brasil o processo não será com a mesmo velocidade dos coreanos até porque as disparidades são bem maiores em nosso território. A determinação oriental também supera a falta de vontade política tão comum entre os governantes brasileiros.
O Brasil precisa vencer as diferenças e colocar em prática um projeto estratégico de desenvolvimento. E para isso a educação nunca deve ser tratada como despesa. O brasileiro tem de ver a educação como o grande investimento para a construção de um futuro melhor para as atuais e as futuras gerações. Já passou da hora de improvisações como crianças estudando em condições precárias. Qual o estímulo para manter o aluno na escola quando nem sala de aula decente ele vai encontrar? Em Londrina, jornais informam que faltam salas para o ciclo básico da educação, que é de responsabilidade do município. Diante desse cenário a ludicidade então fica a anos luz de ser discutida.
Os mais sinceros parabéns a cada um dos jovens que venceu a batalha do vestibular. Festeje a conquista e aproveite bastante a vida universitária. Aqueles que não passaram devem manter a cabeça erguida porque já são vitoriosos e, certamente, terão a oportunidade de chegar lá, seja em universidade pública ou particular. Aos pais a principal recomendação: exijam ensino de qualidade! Não se contentem com diploma ou formatura. Despertem para a realidade do Brasil, fiquem atentos e cobrem avanços reais na educação. Aos governantes de todo o País um apelo: encarem a educação como o maior patrimônio que o cidadão deva ostentar. Não deixem de fazer a lição de casa e contribuam para tirar o Brasil da nota vermelha.

ELEAZAR FERREIRA é reitor da UniFil em Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res (55 li­nhas) e no mí­ni­mo 1.600 ca­rac­te­res (25 li­nhas). Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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