Muitos gostam de opinar sobre o horário do comércio sem conhecer a realidade. Há em Londrina o Código de Posturas, que regula a atividade comercial. A lei foi exaustivamente debatida no ano passado e reformulada com algumas mudanças. Pelo novo texto foi incluída a abertura das lojas nos dois primeiros sábados após o 5º dia últil de cada mês no período da tarde. Outras questões não foram alteradas pelos vereadores porque, no entendimento da Câmara, existe a Convenção Coletiva de Trabalho que engloba as demais questões.
Mas, para surpresa dos comerciários, o sindicato patronal (Sincoval), com o apoio da Acil, voltou a requerer mudanças no horário de atendimento. A convenção expirou no dia 30 de abril. Desde então, a negociação tem sido dificultada pelo sindicato dos empresários. Começaram exigindo que os comerciários trabalhassem nos três primeiros sábados de cada mês em turno integral, o que aceitamos parcialmente, desde que respeitadas algumas condições. Cedemos para poder assinar a convenção, mas os patrões voltaram atrás. Agora eles não aceitam fechar se os empregados não concordarem com a abertura do comércio em todos os sábados do mês, o dia inteiro, sem contrapartida adicional.
No fim de novembro completamos sete meses de negociações infrutíferas. O sindicato patronal tem causado um clima de insegurança no comércio. Dificulta propositalmente o acordo, volta atrás das próprias propostas, causa confusão e move a opinião pública contra o sindicato dos comerciários, tachado de radical e inflexível.
Ultimamente, o Sincoval vem usando de outro artifício: tem dado preferência a protocolar pedidos na Justiça para garantir o funcionamento de lojas em horários especiais, em vez de negociar e resolver de vez esta questão. Por força de liminar, o comércio já está funcionando até as 22 horas. Para nós, comerciários, não é sacrifício algum. É algo que já nos programamos o ano inteiro, período de boas vendas e aumento na remuneração. Não precisava entrar na Justiça para isso.
Lembramos que o Sindecolon não é contra abertura em horários diferenciados, bastando para isto, que um acordo específico seja firmado entre os patrões e empregados, contendo benefícios aos funcionários. Várias empresas assinaram este acordo e funcionam todos os sábados do mês e até aos domingos. No ano passado propomos a criação de dois turnos de 6 horas para ampliar o horário de atendimento das lojas, mas os próprios patrões consideraram a ideia inviável.
O que para muitos é intransigência, para nós é um cuidado necessário. Temos no sindicato milhares de trabalhadores recebendo ações trabalhistas pelos direitos que foram desrespeitados há oito, dez anos. Empresas que passaram por cima da convenção e da CLT para explorar os empregados. E não falamos somente das pequenas e médias empresas, mas de grandes estabelecimentos, redes de lojas cujos diretores acham que Londrina é terra sem lei. É por esse histórico de irregularidades que não podemos descuidar na elaboração de cada convenção.
Esperamos que os patrões pensem não apenas em seus números econômicos, mas tratem os trabalhadores como pessoas dignas, que merecem respeito, porque deles é que vem o movimento das empresas. Lamentamos que, mesmo com os índices salariais e outras cláusulas já definidos, fiquemos presos a uma tarde de sábado por mês para fecharmos o acordo.

JOSÉ LIMA DO NASCIMENTO é presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Londrina

- Os artigos devem conter dados do autor e ter no máximo 3.800 caracteres (55 linhas) e no mínimo 1.600 caracteres (25 linhas). Os artigos publicados não refletem necessariamente a opinião do jornal. E-mail: [email protected]

mockup